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Meu olhar de saudade

É esse o perfume que me toca. Esse que acabei de sentir e que ainda sinto, mesmo que tenha sido semanas atrás. O cheiro que me proporciona coisas inimagináveis e que aguça a minha saudade a níveis estratosféricos. Meu ânimo aumenta, meu coração aperta e viro criança a cada 7 minutos pra depois voltar a ser adolescente. Meu discurso fica mais animado, mais esperançoso e minha sinceridade se manifesta de maneira intensa, pois pra mim a verdade sempre foi extremamente sexy. Fico bobo, tolo, patético e, talvez essa seja a única situação em que me sinto bem com isso. Minha cegueira se faz presente simbolizando não a razão das coisas, mas a emoção mais pura que possa existir. Fico assim, meio afeto e meio medroso, meio ansioso e meio desesperado.

Esse é o perfume que eu quero e sempre quis. E não me amedronta esse querer absoluto, precipitado e crescente. Pelo contrário. Me afirma e me deixa mais seguro sobre quem eu sou e quem eu sempre fui. As coisas conspiram pra que eu seja menos do jeito que eu sou. Mas de uma maneira irônica e cômica, eu ainda quero ser o que sempre sonhei, apesar dos desmandos da vida.

Eu tô indo cada vez mais longe e as coisas me levam cada vez mais perto. Acho que o segredo é esse: ir o mais longe possível pra voltar rastejando pra onde e pra quem a gente se sente em casa. Jamais subestimarei o destino outra vez.

Whenever, wherever ou just… whatever.

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Arquivado em Autobiografia, impressões

Ao alcance das mãos

Vem que eu te alcanço. Não tem medo não, pode confiar em mim. Estende essa mão que a minha alma já está contigo. Sagrados são esses centímetros que nos separam. São sagrados porque determinam até onde vai a vontade e a força dessa vontade. Mas não tem medo não. Pode segurar que eu te puxo pra perto de mim.

Vamos corromper todos os apectos da física, dirimir alguns segredos da química e reduzir todas as probabilidades matemáticas a um sentimento único e alheio a todas essas coisas. Aperta a minha mão que eu te levo pra cima. Te levo pra todos os lugares em que estive e compartilho contigo as minhas experiências mais necessárias.

Vamos, segura minha mão que falta tão pouco. Essa essência mantenedora da ordem das coisas varia de acordo com esse momento. Varia e decide qual será a história que teremos pra contar daqui a pouco tempo. Estica seus dedos que o meu coração já está dilatado, aberto e saudoso da tua presença. Acolha essa mão que ganharás de presente todo o resto. E, mesmo que seja resto, será honesto, livre de parcimônias, detalhes e manuais. Será intenso, valoroso, arbitrário e corriqueiro. É só você segurar, assim, sem temer a nada. E, garanto, que será a última vez que terá medo ou dúvida quanto a isso.

Nos próximos dias, meses e anos, esse será o ato que fará mais inadvertidamente e sem querer. Agarrará a minha mão como se não estivesse fazendo nada. Será instantâneo, impensado e significará que, nesse dia, por algum motivo, nós nos demos as mãos.
Vem que eu te alcanço.

Whatever range

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Realidade?

O carro na estrada naquela tarde era apenas o prenuncio de algo maior. Um certo silêncio e desconfiança permeava o ar, só decorado pelo som baixo e bucólico que ecoava nas caixas de som. As duas pessoas dentro do carro se entreolhavam com o canto dos olhos, mas sem nunca fazer muitas perguntas. Tentavam tirar tudo que podiam um do outro sem dirigir nenhuma palavra ao outro. Apesar do silêncio, não era uma situação perturbadora. Muito pelo contrário. A falta de som era apenas um complemento de algo intrínseco no ar e que os dois sabiam que iria acontecer. E aconteceu.

Nos dias e noites intensas de amor que sucederam a viagem, algo mágico invadiu aquelas almas e corações. O amor, tantas vezes subestimado e posto de lado, surgiu de trás de um monte de sentimentos racionais e tornou as coisas extremamente simples, apesar das complicações.

Um simples olhar nos olhos de manhã ou a saudade incontrolável mesmo quando você sente o outro perto. A eterna trilha sonora que tranqüiliza o mundo mesmo quando tudo está caindo pelas tabelas ou os pensamentos descoordenados que começam a fazer sentido.

Os sonhos começam a se tornar realidade, mesmo que continuem sendo apenas sonhos. Essa é a verdade que buscamos a vida toda. Concretizar os sonhos, mesmo que eles estejam distantes de nós. É óbvio que alcançá-los é ótimo, mas dividi-los, muitas vezes, pode nos trazer sensação semelhante. Dividir ao invés de multiplicar.

O casal, enlameado de amor, tem vontade de morar nos olhos do outro ou de ter uma casa e um cachorro morando no jardim. Tem vontade de acordar cedo num domingo e apenas tomar café enquanto pensam e sonham, juntos, o que serão da vida.

E o melhor: Podem ser tudo o que quiserem ou serem apenas aquilo que são naquele momento. Afinal, isso é o que importa.

O que eu quero?

Eu quero tudo isso todo dia. Silêncio que não perturba. Intimidade infinita. Vontade de morar nos olhos. Acordar no domingo de manhã e preparar café. Vê-la acordar usando a minha camisa do AC/DC toda amassada. Sonhar os seus sonhos e ter a certeza de que a sua felicidade é tão grande quanto a minha.

Só isso que eu quero. Só.

Whatever matters.

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