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Dia Internacional das Mulheres!

Mulheres, vou lhes dizer quanto eu as amo, pois de uma eu vim e vivo voltando pra elas. Nesse tempo que carece dum carinho, duma prece num sorriso e dum encanto. Mulher, imagina o nosso espanto ao ver a importância central e poder que vocês têm sobre nós. O que cresce tanto – entre outras coisas – é o silêncio mentiroso tão zeloso dos enganos, pois há de ser puro como o ar mais profano, pois há de ser medroso como a ansiedade que permeia eternamente a relação homem e mulher. Com elas aprendi muita coisa e vivo aprendendo cada vez mais. Foi o primeiro lugar – literalmente – em que estive e que saí sem entrar. Aprendi que vocês são tão burras quanto nós, tão estúpidas quanto nós e tão machistas quanto nós. Com a única e tênue diferença que vocês são muito melhores em todos os aspectos, pelo menos do meu ponto de vista. Como a graça do perdão feminista, por natureza, nos faz surgir o dia, cotidianamente com mais alegria. Nós faz aprendiz de vossa companhia que eu sempre quis, e, até infeliz, sou bombardeado pela vontade mais doce que sai de vocês. Sou um felizardo, que abastado por meio de originais e extremas demonstrações de amor, me faço senhor e refém ao mesmo tempo. Sou apenas um momento, vezes fúnebre, de louvor e amor que têm na exatidão mais sincera, uma espera que faz sentir dor. Sou servo, servido e refeição. Vocês têm a benção enorme e desesperada da judiação. Benefício tal que vocês usam cada vez menos e com menos precisão. Por isso, ao pensar em lhes escrever, o que me passa nas cabeças é o sentimento puro, efêmero e inerte de que vocês apenas são o eterno motivo de acordarmos todo dia com disposição. E nessa relação tempestuosa entre pau e boceta, entre o peito e as tetas, entre o sexo frágil e o mais frágil ainda, me mantenho do vosso lado, para quem sabe, no final, entendê-las. E, caso isso não aconteça, por acaso ou indiferença, terei como minha maior crença a certeza imutável de que sou louco. Assim como vocês.

Whatever woman

* Entenda paráfrases de Chico e vírgulas ao léu.

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Sexos!

Nem sempre as almas são feitas uma para as outras. O desenho infiel das possibilidades depende exclusivamente da vontade que os pares desejam imprimir. Destacam-se precipuamente pela perfeição da matéria desprovida de certo orgulho e provida, ao extremo, de respeito e amor. Caso contrário, não dá certo. As buscas incessantes por amores possíveis é algo que não podemos nos desvencilhar, pois fomos criados possessivos e insatisfeitos. E seguindo essa natureza, às vezes cruel e dolorosa, nos dá a impressão perfeita dos nossos atos e segurança de nossas atitudes, até porque nos moldamos exatamente à forma que o cérebro/coração deseja.

Há tempos não me arrependo das coisas e das formas que as faço, deixando os vícios de lado, é claro. Não me procuro mais no meio das animosidades que circundam a vida a dois. Não detenho mais as minhas vontades e minhas atitudes condizem perfeitamente com o que não entendo. Tento – em vão – compreender muita coisa do universo feminino, mas procuro me adaptar a essas loucuras venusianas que sempre farão parte da minha vida. O não que quer dizer sim talvez seja o meu maior problema.

A vontade incessante de conter as lágrimas e o orgulho besta após as incontáveis e irreparáveis brigas jamais subestimaram as minhas melhores tolerâncias e inquietudes. Somos assim, um pau e um buraco, uma seta pra cima e um mais pra baixo, um azul e um cor-de-rosa estigmatizados, uma fragilidade e uma dominância sem ter nada a ver com o sexo. Seremos eternos pagadores de contas, abridores de carros, carregadores de colo, doadores de flores. Cortejaremos. Não marcharemos mais queimando cuecas ou calcinhas por isso. Não reclamaremos da sangria desatada mês a mês, do futebol do domingo à tarde, da tampa do vaso respingada e nem da TPM insípida e inodora que nos assola cruel e velozmente. Agüentaremos. Viveremos a vida com mais um, dois, três ou com uma cambada de gente doida, sem preconceitos.

A diferença precípua e consoladora de nossas atitudes se explica pelo fato mais simples e ingênuo da humanidade: de perto, perto mesmo, ninguém é normal.

Whatever one

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One more picture!


All rights reserved!

Na tela do meu cinema, espelho de minha alma, o narcisismo pulsante de artérias vermelhas de vergonha formam listras que me incomodam. Fico sem cor, acanhada, rio risada fechada de dentes cobertos, um preto e branco colorido reflete o espelho que não paro de olhar. Ajeito cabelo, pernas, tetas e surpreendo minha imagem assim, meio de lado, meio querendo saber o que pode acontecer. Um cigarro queima entre dedos que admiram uma mulher sobre a camisa branca e a parede que insiste em permanecer parada sobre o lado esquerdo da minha sensualidade. Unhas brilham e refletem o fogo permanente que brota entre minhas pernas cruzadas e ansiosas em alcançar o divino foco de minha máquina. Detalhes passam despercebidos sob o olhar curioso de quem escreve e narra a cena admirada pela fotógrafa. O botão de power negligencia a escuridão de um monitor feliz em refletir a imagem singela e bela de quem não sabe pra onde olhar. A foto significa a sutil diferença entre ver o que vê a autora ou o que vê quem vê o conceito. Uma tela de algumas polegadas traduz toda a nicotina envolta em meu pulmão fêmea, onde as narinas se afinam nas tragadas flagradas pela lente compulsiva de minha maior arte. E nesse escuro infinito, onde a tela cheia de mim ilumina poucas partes de minha ansiedade, a silhueta inquieta explica ao mundo a visão eterna que terei de mim mesma. Talvez sem o cigarro.

Whatever female

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