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Sobre terças-feiras às 15h.

3 da tarde. Eram 3 da tarde. Entrou num amorfo simpático a luz de uma primavera hostil. Entrou e me disse o horóscopo mais triste, mais pessimista que já se viu. Rimou, irritou e mostrou o destino visto pelas palavras que tanto aprecio. Não curti, não sorri, não me senti útil. Me conduziu a um estado adorno, daqueles que enfeitam os sentimentos que se lê nas palavras. Chuva. Só repeti com a estratégia do corpo as figuras tão conhecidas de uma pessoa ansiosa. Reli, ouvi música, andei de um lado para o outro. Senti paz por momentos em músicas e melodias que fizeram sentido. Rejuvenesci. Uma mágoa distante bateu em riste na membrana mais profunda da mente que se diz ágil. Frio. Criei, sob circunstâncias babacas, teorias acerca da mortalidade. Vivo ou morto, acresço sob formas estranhas e mereço de prontidão a mais recíproca condenação de ódio que já se viu. A noite cai, a lua invade, a escuridão enobrece. Encontro no vazio a mesma teoria mística que todas as palavras insistem em dizer coisas que não dizem nada.

Assim como este texto.

Perdão.

Whatever Sorry

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Instrospecção

Aquela alma calma, recôndita e serena entre a pessoa translúcida e a fraqueza aparentemente estúpida mostra a riqueza da face obscena. A espera descansa e esbanja na letra aquilo que prova que a magia é maior e mais latente que qualquer anomalia. Entre as frases tristes, chorosas, se vê um mundo de outras coisas claramente menos enigmáticas. Entender as palavras é fácil. Entender a alma humana é complicado, mas é uma das coisas pra qual mais tenho talento na vida. Acredito nisso piamente.

Whatever comprehension

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Is It truth?

Entre o orgasmo pródigo e a lúxuria constante, a imaginação amniótica e a precisão cirúrgica das ferramentas de incisão. O aprendizado amador de letras borradas e palavras muitas vezes escondidas entre as frases refeitas. A intensa vontade de adaptação ao coletivo ao que importa naquele momento, sem precisar esclarecer o que há dentro das suas vontades mais fundas.
Ser verdadeiro é difícil. Tão difícil quanto ser.
Verdade.

Whatever you say

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Figuras de linguagem

Fêmea dócil. Pacata ser humana. Calma, fácil. Tranquilo grito profano. Desde as abas que sobrepujam os andares mais acima até as fases que sobrecarregam os andares de baixo. Sangue. Esse berro desumano, incontrolável apetite de intranquilidade. Esse termo ensandecido, asonado de olhos tristes, vermelhos, olheiros de outro certame qualquer.

Mulher frágil. Agoniada ser humana. O que não se bota no feminino, a gramática perdoa quando humanidade se torna adjetivo. Nervosa, dificil mesmice sagrada. Onde acordam as abas dos andares de cima, se fecham os andares de baixo. Amor. Esse urro humano, sobretudo, controla o apetite da tranquilidade.

A espera cretina, a sincera mentira que tolera a pertinência tranquila. Frases que controlam o âmago e seguram o ego. Sentimento que inspira a mais pura ansiedade. Que administra em doses lentas a animosidade de um par.

Par ou ímpar?

Whatever game

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Teor

O sumo da fruta próxima, da palavra grossa, da pessoa frouxa. O extrato borda, a letra acorda, o mar centelha numa dança amorfa. As paredes entram, o ar incensa, o espesso afina. Os lares brotam, os filhos parem, as portas morrem no concreto cru. A porra jorra, concentra gozo, invade o poço onde mora o amor. Impera a tora, meu porto a vela, a velha senhora de ossos à mostra. Invade o cheiro, ampara o óvulo, ausculta a parede do corpo inteiro. Corre o plasma, escoa o líquido, sobe à tona sem ar no peito. Respira. Volta e multiplica o espaço, ganha mais um maço, alastra a gosma sem limite de tempo. Avança os lares, ímpares inspirados em terços perfumados, carne que coincide com a sua carne. Estranho pedaço, trêmula chama de memória justa, venha e não avise. Venha e, de repente, torne invisível esse meu mundo possível.

Whatever possible

*Texto escrito para o Blog Rebuliço, da minha irmãzinha Tati Fávaro.

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Sobre o que vejo…

Agora exonera essa farsa que vigorou outrora na minha cara. Também pudera! Essa farpa de cera que acende essa vela afora, só acalora o buraco que mora dentro do peito.

Dilacera essa âncora e escancara essa vara que impera aliciadora no meio da perna. Dispara essa espera agora, amadora senhora que declara seu tiro e reverbera cantora nessa voz que agoura e encara esse grande suspiro. Pantera que era, venera essa fera afora e separa teu choro pra outra hora.

Na próxima aurora, embora contrapopusera, teu mimo que sara a cada amanteigada sincera, impede essa rara e controversa demora, enganadora das tuas vestes e escultora dos teus transpiros. Ora, pecadora por ora e pagadora quando lhe retorna a penhora, prolifera a tara e sara quando aparece em outra seara.

Conspiro por vezes contra essa nobre pastora de gostos tão vis e patrocinadora de causas austeras. Dentro de toda megera mora e opera uma tutora traidora das próprias ulceras internas.

O mundo nunca foi tão dissimulado.

So, whatever.

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O circo da pulga

Pula pulga, pula. Salta e batevoltaquica essa coceira da pata esquerda. Entre nos ralos pêlos da perna e sofregamente me sugue o sangue. Se lhe mato a fome a troco de algumas apupadas no local, você está perdoada. Desculpe tentar matá-la, mas o gesto por vezes abrupto é irracional. Não lhe mataria caso pedisse permissão, pois não é nada intencional.

Pulga, foge da minha mão.

Caso fosse um mero espectador, torceria por você contra mim. Torço sempre pelos subjugados e parasitas. Enfim, não meço esforços para a sua total e irrestrita satisfação. Se lhe fosse semelhante faria o mesmo, talvez numa perna mais bonitinha, mas, gosto, cada um tem um.

Não lhe julgo a atitude, lhe julgo a safadeza de não ficar pra ver. Seu prazer de pulga é enveredado pela sua forma prolixa de morder e não olhar o que acontece. Sinceramente, reveja seus conceitos. Nos meus momentos parasitas, sempre fiquei pra ver o que acontecia, numa mistura de medo e alegria. E se ainda fosse tão pouco visível como lhe é característica principal, seria ainda mais cara de pau. Morderia os lugares mais cabais, mais óbvios e deleitosos de sangue. Seria prazer do começo ao fim.

Se pulga eu fosse, causaria as maiores e mais prazerosas coceiras e saía de cada corpo felizão e de boca cheia. Portanto, aproveite essa brecha que lhe dou, mas não abuse em sua ceia. Uma mordida por dia e mantemos assim a diplomacia. Assim, você se sacia e eu mantenho minha sanidade conversando com você todos os dias. Ah, e me desculpe quando não volto pra casa, mas também não posso ser a sua única fonte de ideologia.

Vamos manter uma relação sadia, tá? Boa noite Pulga, boa poligamia.

Or not. So, whatever.

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