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O farol e eu

O farol, ao alto do mar, é uma ilha sob as nuvens carregadas que virão. Padece a tarde, chega a noite e a escuridão insiste no preto, enquanto apenas uma sóbria luz pisca para alertar a vida. O farol não dá direção. Ao contrário, só indica que há algo no caminho. E o que busca quem está no farol, visto que aponta pra todos os lados?
Eu lhes digo, pois vivo no farol desde pequeno.

Quem mora lá busca, basicamente, paz. Busca estar longe pra pensar perto. Busca a solidão para não sentir solidão. Busca compreender a própria cabeça, identificar o próprio corpo, reluzir sozinho a própria luz.
Quem mora lá busca eternidade. E só é eterno aquele que não tem a quem contar coisas.

Ao aportar no farol, acordo. Volto a fugir desse lugar por onde tanta onda já bateu e tanta gente já passou.

O farol, foi-se. Fiquei eu, alto mar e os pensamentos intransponíveis da vida.

Só.

Whatever lighthouse

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Arquivado em Introspecção, Paz

Traços, destino e infamidade!

Meu mar calmo anda agitado. Anda com ondas altas e poucas marolas. Bonança não se vê mais, nem mesmo no horizonte. Nem de longe parece a maré calma e torturante que assolava minha canoa. Nesse pedaço de mar preto por onde passo, arremesso as ondas pra cima dos outros com algum pudor. Aprendi – a duras penas – a ser assim, um pouco mais egoísta com os outros e mais fiel comigo mesmo, mas ainda sinto dentro do meu barco as ondas que batem nos barcos alheios. Isso também me fez assimilar um pouco melhor o agito do meu mar e a tornar meu porto um pouco mais seguro.

A proa aponta o destino que traço naquele filete que já desenhei faz tempo na minha cabeça. A popa desmancha alguns detalhes, deixando pra trás alguns sonhos frustrados, um pouco de arrependimento e a certeza marota e intermitente que assola minha rota. Só o que me importa hoje em dia é ir. Ir, mesmo que sem destino algum ou que seja esse aquele destino que foge das nossas mãos. Ir, mesmo que não haja razão ou que essa razão seja ainda maior que a própria vontade.

Meu mar cada vez gosta mais do desconhecido e meu barco já balança menos do que outrora. Será agora a minha viagem sem volta? Será agora meu partir sem retorno?

Whatever is OK.

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