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O circo da pulga

Pula pulga, pula. Salta e batevoltaquica essa coceira da pata esquerda. Entre nos ralos pêlos da perna e sofregamente me sugue o sangue. Se lhe mato a fome a troco de algumas apupadas no local, você está perdoada. Desculpe tentar matá-la, mas o gesto por vezes abrupto é irracional. Não lhe mataria caso pedisse permissão, pois não é nada intencional.

Pulga, foge da minha mão.

Caso fosse um mero espectador, torceria por você contra mim. Torço sempre pelos subjugados e parasitas. Enfim, não meço esforços para a sua total e irrestrita satisfação. Se lhe fosse semelhante faria o mesmo, talvez numa perna mais bonitinha, mas, gosto, cada um tem um.

Não lhe julgo a atitude, lhe julgo a safadeza de não ficar pra ver. Seu prazer de pulga é enveredado pela sua forma prolixa de morder e não olhar o que acontece. Sinceramente, reveja seus conceitos. Nos meus momentos parasitas, sempre fiquei pra ver o que acontecia, numa mistura de medo e alegria. E se ainda fosse tão pouco visível como lhe é característica principal, seria ainda mais cara de pau. Morderia os lugares mais cabais, mais óbvios e deleitosos de sangue. Seria prazer do começo ao fim.

Se pulga eu fosse, causaria as maiores e mais prazerosas coceiras e saía de cada corpo felizão e de boca cheia. Portanto, aproveite essa brecha que lhe dou, mas não abuse em sua ceia. Uma mordida por dia e mantemos assim a diplomacia. Assim, você se sacia e eu mantenho minha sanidade conversando com você todos os dias. Ah, e me desculpe quando não volto pra casa, mas também não posso ser a sua única fonte de ideologia.

Vamos manter uma relação sadia, tá? Boa noite Pulga, boa poligamia.

Or not. So, whatever.

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Arquivado em impressões, Infamidades, Pura Estupidez

Apenas mais um monte de palavras…

Prazer que abala as estruturas,
E te manda de volta a infância,
Que absorve todo o seu corpo,
E imita a arte sem plágio nem perdão.
Salienta o modo de viver,
Persegue a cria de forma inusitada,
Chora a respeito do passado,
Dramatiza e volta ao presente,
E sente que não quer sair,
Não quer ir embora nem ficar,
Quer a paz de outrora,
Quer o prazer de agora,
Tudo ao mesmo tempo agora,
Sem nada que atrapalhe sua solidão,
Tem medo do futuro e se lamenta do passado,
Desgraça a vida conjecturando,
Contenta-se com o pecado,
Limita-se a ver o que quer,
Quer o que vê e não chora,
Demora, apavora e sai ileso,
Não dói agora mas doerá depois,
Quando souber que chegou ao fim,
E abdicou de tantos amores,
E não provou dos tantos sabores,
Que a vida lhe ofereceu.

Whatever…

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Arquivado em Autobiografia, Paz, Pecados, Prazeres