Arquivo da tag: saudade

Figuras de linguagem

Fêmea dócil. Pacata ser humana. Calma, fácil. Tranquilo grito profano. Desde as abas que sobrepujam os andares mais acima até as fases que sobrecarregam os andares de baixo. Sangue. Esse berro desumano, incontrolável apetite de intranquilidade. Esse termo ensandecido, asonado de olhos tristes, vermelhos, olheiros de outro certame qualquer.

Mulher frágil. Agoniada ser humana. O que não se bota no feminino, a gramática perdoa quando humanidade se torna adjetivo. Nervosa, dificil mesmice sagrada. Onde acordam as abas dos andares de cima, se fecham os andares de baixo. Amor. Esse urro humano, sobretudo, controla o apetite da tranquilidade.

A espera cretina, a sincera mentira que tolera a pertinência tranquila. Frases que controlam o âmago e seguram o ego. Sentimento que inspira a mais pura ansiedade. Que administra em doses lentas a animosidade de um par.

Par ou ímpar?

Whatever game

Anúncios

3 Comentários

Arquivado em impressões

O farol e eu

O farol, ao alto do mar, é uma ilha sob as nuvens carregadas que virão. Padece a tarde, chega a noite e a escuridão insiste no preto, enquanto apenas uma sóbria luz pisca para alertar a vida. O farol não dá direção. Ao contrário, só indica que há algo no caminho. E o que busca quem está no farol, visto que aponta pra todos os lados?
Eu lhes digo, pois vivo no farol desde pequeno.

Quem mora lá busca, basicamente, paz. Busca estar longe pra pensar perto. Busca a solidão para não sentir solidão. Busca compreender a própria cabeça, identificar o próprio corpo, reluzir sozinho a própria luz.
Quem mora lá busca eternidade. E só é eterno aquele que não tem a quem contar coisas.

Ao aportar no farol, acordo. Volto a fugir desse lugar por onde tanta onda já bateu e tanta gente já passou.

O farol, foi-se. Fiquei eu, alto mar e os pensamentos intransponíveis da vida.

Só.

Whatever lighthouse

Deixe um comentário

Arquivado em Introspecção, Paz

Meu olhar de saudade

É esse o perfume que me toca. Esse que acabei de sentir e que ainda sinto, mesmo que tenha sido semanas atrás. O cheiro que me proporciona coisas inimagináveis e que aguça a minha saudade a níveis estratosféricos. Meu ânimo aumenta, meu coração aperta e viro criança a cada 7 minutos pra depois voltar a ser adolescente. Meu discurso fica mais animado, mais esperançoso e minha sinceridade se manifesta de maneira intensa, pois pra mim a verdade sempre foi extremamente sexy. Fico bobo, tolo, patético e, talvez essa seja a única situação em que me sinto bem com isso. Minha cegueira se faz presente simbolizando não a razão das coisas, mas a emoção mais pura que possa existir. Fico assim, meio afeto e meio medroso, meio ansioso e meio desesperado.

Esse é o perfume que eu quero e sempre quis. E não me amedronta esse querer absoluto, precipitado e crescente. Pelo contrário. Me afirma e me deixa mais seguro sobre quem eu sou e quem eu sempre fui. As coisas conspiram pra que eu seja menos do jeito que eu sou. Mas de uma maneira irônica e cômica, eu ainda quero ser o que sempre sonhei, apesar dos desmandos da vida.

Eu tô indo cada vez mais longe e as coisas me levam cada vez mais perto. Acho que o segredo é esse: ir o mais longe possível pra voltar rastejando pra onde e pra quem a gente se sente em casa. Jamais subestimarei o destino outra vez.

Whenever, wherever ou just… whatever.

Deixe um comentário

Arquivado em Autobiografia, impressões

Ao alcance das mãos

Vem que eu te alcanço. Não tem medo não, pode confiar em mim. Estende essa mão que a minha alma já está contigo. Sagrados são esses centímetros que nos separam. São sagrados porque determinam até onde vai a vontade e a força dessa vontade. Mas não tem medo não. Pode segurar que eu te puxo pra perto de mim.

Vamos corromper todos os apectos da física, dirimir alguns segredos da química e reduzir todas as probabilidades matemáticas a um sentimento único e alheio a todas essas coisas. Aperta a minha mão que eu te levo pra cima. Te levo pra todos os lugares em que estive e compartilho contigo as minhas experiências mais necessárias.

Vamos, segura minha mão que falta tão pouco. Essa essência mantenedora da ordem das coisas varia de acordo com esse momento. Varia e decide qual será a história que teremos pra contar daqui a pouco tempo. Estica seus dedos que o meu coração já está dilatado, aberto e saudoso da tua presença. Acolha essa mão que ganharás de presente todo o resto. E, mesmo que seja resto, será honesto, livre de parcimônias, detalhes e manuais. Será intenso, valoroso, arbitrário e corriqueiro. É só você segurar, assim, sem temer a nada. E, garanto, que será a última vez que terá medo ou dúvida quanto a isso.

Nos próximos dias, meses e anos, esse será o ato que fará mais inadvertidamente e sem querer. Agarrará a minha mão como se não estivesse fazendo nada. Será instantâneo, impensado e significará que, nesse dia, por algum motivo, nós nos demos as mãos.
Vem que eu te alcanço.

Whatever range

6 Comentários

Arquivado em Autobiografia

Eu vou, eu vou… pra lá agora eu vou!

Meus pés sujos, tanto quanto as minhas mãos, andam pelo asfalto, ora frio e ora quente, procurando algo que eu já sei que estará lá. O que dá a direção são as tão tracejadas linhas que perfazem o caminho da minha felicidade. Elas já estão lá, desenhadas uma após a outra e esperando que eu ligue os pontos e pinte, como se fosse um caderno de atividades para crianças.

Quando se é criança é apenas mais uma coisa que nós fazemos para exercitar a cabeça e para dar alguns minutos de sossego para nossos pais. Agora não. Agora é diferente. Agora as coisas exigem mais da gente. Exigem traços mais perfeitos, cores mais sutis e paisagens mais belas. Exigem também uma concentração e um foco para que os desejos se concretizem e não nos percamos pelo meio do caminho.

Um passo após o outro e vamos deixando pra trás o que éramos minutos atrás. Aprendi, a duras penas, que eu mudo. Que as minhas ideologias e sentimentos amadurecem e me tornam, ao contrário do que sempre pensei, mais forte e sereno e não fraco e covarde. Aprendi que minha tristeza e a minha felicidade caminham juntas nessa estrada, sempre de mão dupla, como não poderia deixar de ser.

Caminho entre esses dois mundos paulatinamente, sempre procurando o centro, a faixa branca que delimita as minhas atitudes. Há o medo constante que a estrada suma, acabe e não nos leve a lugar nenhum, mas mesmo assim ainda há o prazer inenarrável de ir. Sem muito otimismo e sem nenhum pessimismo. Aceitar as curvas e tentar desenhá-las de modo que possamos andar com relativa segurança e com os pés fincados no chão. Nem que seja apenas um deles.

Ao final, lá no horizonte, ainda bem longe da meta, a estrada ainda é de terra, sem traços, sem asfalto e sem limites. A construção é o que importa. O caminho é a glória. O destino é apenas inevitável.

Whatever highway

4 Comentários

Arquivado em Introspecção, Paz

Realidade?

O carro na estrada naquela tarde era apenas o prenuncio de algo maior. Um certo silêncio e desconfiança permeava o ar, só decorado pelo som baixo e bucólico que ecoava nas caixas de som. As duas pessoas dentro do carro se entreolhavam com o canto dos olhos, mas sem nunca fazer muitas perguntas. Tentavam tirar tudo que podiam um do outro sem dirigir nenhuma palavra ao outro. Apesar do silêncio, não era uma situação perturbadora. Muito pelo contrário. A falta de som era apenas um complemento de algo intrínseco no ar e que os dois sabiam que iria acontecer. E aconteceu.

Nos dias e noites intensas de amor que sucederam a viagem, algo mágico invadiu aquelas almas e corações. O amor, tantas vezes subestimado e posto de lado, surgiu de trás de um monte de sentimentos racionais e tornou as coisas extremamente simples, apesar das complicações.

Um simples olhar nos olhos de manhã ou a saudade incontrolável mesmo quando você sente o outro perto. A eterna trilha sonora que tranqüiliza o mundo mesmo quando tudo está caindo pelas tabelas ou os pensamentos descoordenados que começam a fazer sentido.

Os sonhos começam a se tornar realidade, mesmo que continuem sendo apenas sonhos. Essa é a verdade que buscamos a vida toda. Concretizar os sonhos, mesmo que eles estejam distantes de nós. É óbvio que alcançá-los é ótimo, mas dividi-los, muitas vezes, pode nos trazer sensação semelhante. Dividir ao invés de multiplicar.

O casal, enlameado de amor, tem vontade de morar nos olhos do outro ou de ter uma casa e um cachorro morando no jardim. Tem vontade de acordar cedo num domingo e apenas tomar café enquanto pensam e sonham, juntos, o que serão da vida.

E o melhor: Podem ser tudo o que quiserem ou serem apenas aquilo que são naquele momento. Afinal, isso é o que importa.

O que eu quero?

Eu quero tudo isso todo dia. Silêncio que não perturba. Intimidade infinita. Vontade de morar nos olhos. Acordar no domingo de manhã e preparar café. Vê-la acordar usando a minha camisa do AC/DC toda amassada. Sonhar os seus sonhos e ter a certeza de que a sua felicidade é tão grande quanto a minha.

Só isso que eu quero. Só.

Whatever matters.

6 Comentários

Arquivado em Autobiografia

Palavras que não dizem "ni".

Quanto sonho e quanta fala nessa tarde livre de fantasia. Quanta graça e quanto mistério depois da esquina de cada rua. Também precisa a lágrima achar um chão da mesma forma que a distância sempre encontra a solidão. Sufoca a gente de carinho e namora o futuro na viagem sem volta. O quão possível de brincadeira nesse jogo que passa além da liberdade se esgota e lambe dentro da natureza ardente e tenra de um lençol branco. Essa é a saudade simples e sábia de um órgão que simplesmente não pensa.

Essa espera que arde cega e sedenta no jardim do peito. Quanta fala e quanto sonho nessa noite ocupada de alegria. E se faço feliz meu mundo e encho de estrela meu céu, chego ao fim do dia sem nada pra lamentar ou pra sofrer. Nenhuma arte e nenhuma sorte me comove mais que a coxa quente dessa bela e provocante idéia. O que me chega macio e que me soa como uma música numa manhã de sol é a parte mais clara e devota de um dia comum que chega e que eu torço pra nunca mais ir embora. E a língua trabalha mesmo assim, sem fala e nem palavra. Meu quase corpo, esgotado de pudor e inocência, olha para o outro lado da margem, sem nunca avistar o mar.

Eu olho pra frente sem nunca ver o agora. Essa é a minha encruzilhada: Um caminho de 4 rotas que eu perambulo e docemente volto ao mesmo lugar, sempre pela última vez. É o encantamento e a magia da inconstância.

Whatever crossroad

3 Comentários

Arquivado em Autobiografia