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Minha massa cinzenta é concreto!

A armadilha implacável de uma lição infalível num ritmo alucinante deixou o meu destino, iminente, estagnado e ecoando na minha cachola. De todas as idéias infindáveis que me escorrem cérebro adentro, a mais importante é a última que fica. Toda noite adquiro para o patrimônio que mora dentro da minha cabeça algum princípio idiota que jogarei fora no dia seguinte. São as formas estranhas e um tanto singelas de formação de uma mente insana e humanamente incontornável. Não sou volúvel e nem mesmo mudo de idéia rapidamente. Muito pelo contrário.

Minha cabeça dura e cérebro mole formam um par perfeito para mandar nesse corpo descontrolado que possuo e pretendo manter, mesmo que seja à força e regado à cerveja e loucura. Meu corpo é um lacaio do meu cérebro hiperativo. Eu penso, penso, penso e chego a alguma conclusão que, poucos minutos depois, já não lembro mais. Isso, entre outras coisas, significa que perco mais de dois terços da vida pensando em coisas que jamais sairão debaixo dos meus cabelos. Portanto, ou eu sou um desperdício para mim mesmo ou a punheta mental é essencial à manutenção da minha (in) sanidade, mesmo que não me leve a lugar nenhum. Todas as idéias perdidas – boas ou não – são apenas um reflexo da minha enorme capacidade de fazer as coisas não acontecerem. Sou um empreendedor às avessas e, por incrível que pareça, me absolvo disso plenamente. Sempre consigo achar um jeito mais difícil de fazer coisas que são fáceis. E em hipótese nenhuma admito que isso é culpa minha.

Quando nasci, mamãe, ainda de pernas pra cima e num ato instintivo, disse ao médico que me surrava a bunda com fervor:

– Doutor, eu que já carreguei o menino por 9 meses posso dizer com toda propriedade: não se preocupa em bater nele não que o menino já vai chorar.

Naquele exato momento, ainda lambuzado de sangue e com cheiro de vísceras, eu aprendi – para sempre – que as coisas não precisam sempre acontecer do modo mais difícil, mas há convenções nessa puta dessa vida que dificilmente deixarão de existir.

Whatever brain

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Arquivado em Autobiografia, Ceticismo, Infamidades

Paranóias

Há algum tempo eu peguei emprestado um livro do meu irmão chamado O ponto de desequilíbrio (Tipping Point) de um cara chamado Malcolm Gladwell, também autor de Blink.

Alguns livros já mudaram a minha vida, mas nenhum – com convicção – mudou tanto quanto esse. Não é nenhum livro de auto-ajuda, pelo amor de Deus. Na verdade é um livro que analisa, com base em dados, os incentivos que proporcionam o sucesso de uma política, de um produto e que pode, facilmente, ser adaptado a qualquer aspecto da vida de uma pessoa.

Pois é, acontece que eu comecei a “praticar” comigo mesmo, tentando gerar o ponto de desequilíbrio da minha vida e conseguir virar um puta cara bem sucedido em tudo o que eu quisesse.

E deu certo!!!

Hoje em dia me encontro completamente desequilibrado, mancando de uma perna, com um calombo no pulso, com a boca toda fudida, sem grana e precisando urgentemente de um Gardenal ou algo que o valha.

O livro realmente é muito bom, mas desaconselho a pessoas influenciáveis por esse tipo de coisa, como eu, por exemplo.

Da última vez que fiquei assim também foi por causa de um livro. Eu comprei um livro que “ensinava” a ler as linguagens corporais. Muito maluco o negócio. Você começa a prestar atenção nas reações das pessoas em qualquer lugar que você vá ou esteja. Fiquei por alguns meses assim, analisando friamente todas as pessoas e achando que eu conseguiria me tornar um mega vidente apenas com a observação.

Acontece que em um dos capítulos do citado livro, a vagabunda da autora dizia que, se você, ao cumprimentar uma pessoa, tocar levemente no cotovelo dela, a chance de haver uma boa impressão aumentava consideravelmente.

O que aconteceu? Este que vos escreve começou a tentar tocar o cotovelo de todo mundo que eu conhecia. E convenhamos que isso não é uma tarefa fácil, ainda mais quando você o faz premeditadamente. No final das contas eu até consegui algumas tocadas no cotovelo, mas tenho certeza de que funcionou exatamente ao contrário. Todas as pessoas devem ter me achado esquisito ou completamente maluco, o que, na verdade, é o que eu sou.

Escrevi toda essa baboseira porque tenho ouvido bastante gente falar e escrever sobre O Segredo. Estou morrendo de curiosidade, mas cheio de medo que algum mal me aconteça quando eu começar a mentalizar o que eu quero. Freud explica.

Whatever madness

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Arquivado em Autobiografia, impressões

Substantivos

Desafiando a sorte,
Em saída de qualquer parte,
Em que predomina o porte,
No que denomina a arte.
Que desfigura a vida,
Que desmascara a fala,
Em ponto que não tem vírgula,
Em frase que a boca cala.
No grito que não tem gesto,
No símbolo que não significa,
Em cada crise de fato,
Que abala, que cria conflito.
O meio que surge mascara,
Esconde na fria metade,
Desespero em choro criança,
Pecado em cabeça de frade.
Toca dentro do peito,
Insurge e treme corpo,
Aquilo que não se explica,
Aquilo que finge desgosto.
Sai de forma rara,
E, triste, toca pra frente,
Sabe que a vida segue,
O nasce que vira poente.
Noite que nasce de dia,
Céu que confunde verão,
De nuvem que não me basta,
De tempo que não me dão.

Whatever rhymes

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Pataca Fora de si

Sentado, pelado, ouvindo música e escutando poesia.

Vendo o escuro de forma diferente, sentindo o coração cheio e a cabeça vazia. Visto bota e calço chinelo, sinto o chão no pé. Deito na cama, leio o que escrevi e entendo o que não foi escrito. Imerso, diverso, converso com a fala que ninguém entende, não compreende, sequer aprende e nunca quis aprender. Meus poros suam a idéia de amanhã e terei amnésia de todo o meu pensamento. Acordarei puro, criança, com birra e com pouco cabelo. Quieto, incerto, tossindo a tosse de velho senhor. Arde-me o olho, encolho a cabeça pra dentro do pescoço. Não sou mais moço e esboço a calma de velho senil. Enlouqueço minhas idéias e me perturbo com a falta de eloqüência. Sem seqüência, acabo perdido em meio a cenas em que sou super-herói. Minha cabeça constrói o meu corpo e minha vida que tantas vezes vivi, senti e muitas vezes morri. Não há desespero. Não há pressa. O que interessa é o fim da história. Muitas vezes recrio com absoluta exatidão as nuances de minhas atitudes. Perfeitas. Refeitas milhares de vezes para tal. Meu cérebro é um oito feito incontinenti por uma caneta Bic. As cores mudam. Misturam-se. Formam cores e estados emocionais que não estão na literatura. É pura. Pura e simplesmente loucura.

Whatever nuts

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