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Figuras de linguagem

Fêmea dócil. Pacata ser humana. Calma, fácil. Tranquilo grito profano. Desde as abas que sobrepujam os andares mais acima até as fases que sobrecarregam os andares de baixo. Sangue. Esse berro desumano, incontrolável apetite de intranquilidade. Esse termo ensandecido, asonado de olhos tristes, vermelhos, olheiros de outro certame qualquer.

Mulher frágil. Agoniada ser humana. O que não se bota no feminino, a gramática perdoa quando humanidade se torna adjetivo. Nervosa, dificil mesmice sagrada. Onde acordam as abas dos andares de cima, se fecham os andares de baixo. Amor. Esse urro humano, sobretudo, controla o apetite da tranquilidade.

A espera cretina, a sincera mentira que tolera a pertinência tranquila. Frases que controlam o âmago e seguram o ego. Sentimento que inspira a mais pura ansiedade. Que administra em doses lentas a animosidade de um par.

Par ou ímpar?

Whatever game

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O que não esqueço

Inunda passo na poça e afunda o piso no troço que enterra a tristeza na fossa e emerge do fundo do poço.

A posse de todo o pescoço endossa o amor pelo moço que coça no vosso desgosto e almoça o caroço que prende seu doce.

Esboce o jeito por vezes insosso e enlace o corpo nesse alvoroço. Acosse e abrace a carcaça até o momento em que peço pra que se satisfaça.

Trespasse esse descontento na face e siga em frente enquanto adoeço. Não lhe peço nenhum tipo de apreço e nem ao menos professo os inúmeros e felizes excessos. Confesso que compadeço, mas amadureço cada vez que anoitece.

Não desfaça todo o trajeto espesso e por vezes possesso em troca de qualquer preço. Recomeço, menos chato e sem rimas, mas reabasteço e te ofereço toda a minha pirraça. Mesmo que comumente isso fracasse, eu esbraveço toda minha arruaça.

Ainda compareço de forme dócil e tacanha e faço aqui um recesso impreciso, fomentado pelo adereço do amor que enaltece o começo avassalador.

Meça direito tudo o que mereço e impeça o regresso da condição de promessa. Cesso aqui essa desgraça de texto inconfesso e me expresso pela última vez sobre o que não esqueço: amo.

So, what?

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Ao alcance das mãos

Vem que eu te alcanço. Não tem medo não, pode confiar em mim. Estende essa mão que a minha alma já está contigo. Sagrados são esses centímetros que nos separam. São sagrados porque determinam até onde vai a vontade e a força dessa vontade. Mas não tem medo não. Pode segurar que eu te puxo pra perto de mim.

Vamos corromper todos os apectos da física, dirimir alguns segredos da química e reduzir todas as probabilidades matemáticas a um sentimento único e alheio a todas essas coisas. Aperta a minha mão que eu te levo pra cima. Te levo pra todos os lugares em que estive e compartilho contigo as minhas experiências mais necessárias.

Vamos, segura minha mão que falta tão pouco. Essa essência mantenedora da ordem das coisas varia de acordo com esse momento. Varia e decide qual será a história que teremos pra contar daqui a pouco tempo. Estica seus dedos que o meu coração já está dilatado, aberto e saudoso da tua presença. Acolha essa mão que ganharás de presente todo o resto. E, mesmo que seja resto, será honesto, livre de parcimônias, detalhes e manuais. Será intenso, valoroso, arbitrário e corriqueiro. É só você segurar, assim, sem temer a nada. E, garanto, que será a última vez que terá medo ou dúvida quanto a isso.

Nos próximos dias, meses e anos, esse será o ato que fará mais inadvertidamente e sem querer. Agarrará a minha mão como se não estivesse fazendo nada. Será instantâneo, impensado e significará que, nesse dia, por algum motivo, nós nos demos as mãos.
Vem que eu te alcanço.

Whatever range

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2009: o ano dos 30!

Meus amigos serão diferentes. Minha alma será diferente. Meus amores serão mais reais e menos platônicos. Meu dinheiro valerá mais. Minhas músicas serão mais emocionantes e meus filmes mais intensos. Meus sabores serão mais ardentes e minha malícia deixará de existir. Meu sussuros serão mais altos e minhas palavras mais calmas e centradas. Minha saudade será maior e meu choro será mais molhado. Minha liberdade será mais solta e minha prisão será, cada vez mais, possível. Meu prazer será mais um presente do que um vício e meu peito doerá mais e com mais força.

As manhãs terão mais significado e as noites serão mais longas. Meu êxtase será mais prolongado e meu tesão será fiel. As menores coisas perderão seus valores e o que realmente importa será mais valorizado. Os cheiros serão diferentes e as madrugadas acordado ao seu lado serão mais poéticas e eternas. Serei romântico até no ronco. Sentirei medo do tempo que passa e do tempo que passo longe de tudo. Serei eu, com 30 anos. Serei eu do mesmo jeito, mas com mais rugas, menos cabelo e com o futuro chegando cada vez mais perto.

Tenho a impressão de que fico mais bobo a cada dia que passa. Serei eu, aos 60, um velho babão?

Whatever age.

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Se essa rua fosse minha (ou pelo menos se eu tivesse controle)…

Naquela rua branca eu desfilei meus sapatos de sola preta. Deixei pegadas por toda a extensão, seja de comprimento ou largura. Seu céu branco também ficou poluído com a fumaça cinza do meu cigarro ou com a sedução vermelha da minha vontade. Minhas cicatrizes se fincaram no seu corpo e minha ansiedade me afastou de sua infantil e ingênua forma de ser.

A imagem que tenho ainda é de um mundo todo branco, como se eu pudesse ver neve no céu. Mas a minha cobiça, por mais que eu tente, é de ver as coisas mais escuras, complicadas e fora do meu alcance. Essa é a minha dura realidade. É onde me sinto liberto, me sinto à vontade com a minha sanidade e com medo de descobrir que o mundo não se contenta com o meu humor num domingo de manhã. E me dói a falta de paixão, o coração de concreto e a racionalidade exagerada que me invade de vez em quando.  Sou muito mais da metade feito só de coração, mas tenho um pouco menos da metade de um sentimento imaturo e falacioso que corrompe as minhas mais sinceras relações.

Aprendi a ser sincero, sabe Deus como. Aprendi a decorar essa rua branca com um monte de cores que só vivem dentro da minha cabeça e que, sem mais nem menos, se vão de forma lancinante. Não aprendi ainda a lidar comigo e nem a fazer as pessoas não sofrerem, como eu sempre quis.  Decoro a minha rua, por mais branca que ela seja, da maneira que me convém e faço a decoração sumir da mesma forma fácil e dócil que perfaço a vida. Azar ou sorte dos que me cruzam, amor ou ódio dos que me permanecem. Na minha rua branca, branquinha, está guardado um enorme e pulsante pedaço de mim. Meu maior pedaço e por poucas vezes tocado, apesar das constantes batidas que a inércia lhe dá por minuto. “Ó pedaço de mim, eu não quero levar comigo a mortalha do amor. Adeus!”.

Whatever NOPE.

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Você por aqui?


O significado dos lugares não existe. Eles não são significativos sem as pessoas. Eles não são mais nem menos sem elas, que o fizeram, o construíram e lhe deram vida. É engraçado como associo sempre um lugar a uma pessoa. E não faço isso conscientemente, juro. Nos lugares onde estive, por onde passei e em muitos por onde pernoitei, sempre me lembro de alguém que, ou estava comigo, ou simplesmente estava lá. Digo isso porque costumo prestar muita atenção nas coisas que acontecem ao meu redor e gosto, sempre e mesmo que esteja acompanhado, de ficar em silêncio e reparar no cotidiano das pessoas. Reparo o olhar, as expressões, as linhas faciais, o amor e a raiva que circunda o momento. E tanto faz se é numa rua de terra batida no fim do mundo, em uma grande e poluída cidade de concreto ou na mais paradisíaca praia. Meu estado de espírito é muito mais forte que meus olhos, pois assim consigo enxergar muito além do que uma bela ou triste paisagem. No meu mundo cego, onde não há tato, olfato, paladar e sou surdo, as coisas acontecem sem eu querer e fora da minha alçada. Ainda bem, pois se eu controlasse o mundo, seria muito pior que já é. Sempre fui um árduo fã do acaso e quem me conhece sabe muito bem disso. Nunca procurei muito as situações, e, às vezes, essas ocasiões acontecem muito menos do que gostaria. O acaso compõe a melhor música, faz a melhor arte, inspira o melhor momento e cria o mais bonito momento de amor. Não há nuances nos desencontros, não há nuance nas coincidências, não há acaso por acaso, a não ser como retórica. Se o meu pé está indo pra lá e o seu pra cá, algum motivo tem. Acredito nisso piamente. Acredito mais nisso do que no próprio acaso.

Whatever happen

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Dia Internacional das Mulheres!

Mulheres, vou lhes dizer quanto eu as amo, pois de uma eu vim e vivo voltando pra elas. Nesse tempo que carece dum carinho, duma prece num sorriso e dum encanto. Mulher, imagina o nosso espanto ao ver a importância central e poder que vocês têm sobre nós. O que cresce tanto – entre outras coisas – é o silêncio mentiroso tão zeloso dos enganos, pois há de ser puro como o ar mais profano, pois há de ser medroso como a ansiedade que permeia eternamente a relação homem e mulher. Com elas aprendi muita coisa e vivo aprendendo cada vez mais. Foi o primeiro lugar – literalmente – em que estive e que saí sem entrar. Aprendi que vocês são tão burras quanto nós, tão estúpidas quanto nós e tão machistas quanto nós. Com a única e tênue diferença que vocês são muito melhores em todos os aspectos, pelo menos do meu ponto de vista. Como a graça do perdão feminista, por natureza, nos faz surgir o dia, cotidianamente com mais alegria. Nós faz aprendiz de vossa companhia que eu sempre quis, e, até infeliz, sou bombardeado pela vontade mais doce que sai de vocês. Sou um felizardo, que abastado por meio de originais e extremas demonstrações de amor, me faço senhor e refém ao mesmo tempo. Sou apenas um momento, vezes fúnebre, de louvor e amor que têm na exatidão mais sincera, uma espera que faz sentir dor. Sou servo, servido e refeição. Vocês têm a benção enorme e desesperada da judiação. Benefício tal que vocês usam cada vez menos e com menos precisão. Por isso, ao pensar em lhes escrever, o que me passa nas cabeças é o sentimento puro, efêmero e inerte de que vocês apenas são o eterno motivo de acordarmos todo dia com disposição. E nessa relação tempestuosa entre pau e boceta, entre o peito e as tetas, entre o sexo frágil e o mais frágil ainda, me mantenho do vosso lado, para quem sabe, no final, entendê-las. E, caso isso não aconteça, por acaso ou indiferença, terei como minha maior crença a certeza imutável de que sou louco. Assim como vocês.

Whatever woman

* Entenda paráfrases de Chico e vírgulas ao léu.

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