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Ao alcance das mãos

Vem que eu te alcanço. Não tem medo não, pode confiar em mim. Estende essa mão que a minha alma já está contigo. Sagrados são esses centímetros que nos separam. São sagrados porque determinam até onde vai a vontade e a força dessa vontade. Mas não tem medo não. Pode segurar que eu te puxo pra perto de mim.

Vamos corromper todos os apectos da física, dirimir alguns segredos da química e reduzir todas as probabilidades matemáticas a um sentimento único e alheio a todas essas coisas. Aperta a minha mão que eu te levo pra cima. Te levo pra todos os lugares em que estive e compartilho contigo as minhas experiências mais necessárias.

Vamos, segura minha mão que falta tão pouco. Essa essência mantenedora da ordem das coisas varia de acordo com esse momento. Varia e decide qual será a história que teremos pra contar daqui a pouco tempo. Estica seus dedos que o meu coração já está dilatado, aberto e saudoso da tua presença. Acolha essa mão que ganharás de presente todo o resto. E, mesmo que seja resto, será honesto, livre de parcimônias, detalhes e manuais. Será intenso, valoroso, arbitrário e corriqueiro. É só você segurar, assim, sem temer a nada. E, garanto, que será a última vez que terá medo ou dúvida quanto a isso.

Nos próximos dias, meses e anos, esse será o ato que fará mais inadvertidamente e sem querer. Agarrará a minha mão como se não estivesse fazendo nada. Será instantâneo, impensado e significará que, nesse dia, por algum motivo, nós nos demos as mãos.
Vem que eu te alcanço.

Whatever range

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Arquivado em Autobiografia