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Figuras de linguagem

Fêmea dócil. Pacata ser humana. Calma, fácil. Tranquilo grito profano. Desde as abas que sobrepujam os andares mais acima até as fases que sobrecarregam os andares de baixo. Sangue. Esse berro desumano, incontrolável apetite de intranquilidade. Esse termo ensandecido, asonado de olhos tristes, vermelhos, olheiros de outro certame qualquer.

Mulher frágil. Agoniada ser humana. O que não se bota no feminino, a gramática perdoa quando humanidade se torna adjetivo. Nervosa, dificil mesmice sagrada. Onde acordam as abas dos andares de cima, se fecham os andares de baixo. Amor. Esse urro humano, sobretudo, controla o apetite da tranquilidade.

A espera cretina, a sincera mentira que tolera a pertinência tranquila. Frases que controlam o âmago e seguram o ego. Sentimento que inspira a mais pura ansiedade. Que administra em doses lentas a animosidade de um par.

Par ou ímpar?

Whatever game

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Um conto infantil pra adultos

Essa é a mulher gigante.

De pernas longas e corpo desproporcional.
Uma pessoa mutante, com bócio nas pernas e tamanho descomunal.

Sua cabeça minúscula pensa nas coisas pequenas, que ela alcança com seus dedões em riste.
Mas do alto de seus braços turvos, ela vê o mundo triste.

E mesmo na praia, onde as ondas ficam na areia,
não há nada que a distraia, pois a solidão a sombreia.

Nos dias bonitos ela sai de casa, enorme recôndito de paralisia.
Acaba sempre nas fotos, titubeando entre o marasmo e a alegria.

A terra mal suja seus pés, pois não há areia que lhe caiba no sapato.
Já o céu, azul em seu esplêndido, mostra que há mais em seu formato.

Mas ela é ainda menor que os prédios ao fundo,
talvez a única coisa no mundo que entenda o que ela quer.

Na luz da manhã, sem porvir e nem torpor,
a mulher gigante aparece para dar todo o seu amor.

E as pessoas fogem, andando apressadas ao caminho do fim.
Ela, ao contrário, fica parada admirando sua própria sombra eternizando um pedaço de mim.

As pegadas que percorrem seu corpo e escalam seus ombros são meros devaneios tolos a lhe torturar.
Só servem de história que ela, relutante, nunca quer contar.

No caminho pra casa, bem longe do pé-de-feijão, a giganta se ajoelha em frente ao mar e, por alguns segundos, chora.
Por que esse corpo tão grande foi aflorar, ela implora.

Ninguém entende sua aflição. Pra ela, ser diferente nunca foi opção.
Afortunada em seu tamanho, a mulher perscruta: dos pés à cabeça são 5 metros de puta.

So, whatever.

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One more picture!


All rights reserved!

Na tela do meu cinema, espelho de minha alma, o narcisismo pulsante de artérias vermelhas de vergonha formam listras que me incomodam. Fico sem cor, acanhada, rio risada fechada de dentes cobertos, um preto e branco colorido reflete o espelho que não paro de olhar. Ajeito cabelo, pernas, tetas e surpreendo minha imagem assim, meio de lado, meio querendo saber o que pode acontecer. Um cigarro queima entre dedos que admiram uma mulher sobre a camisa branca e a parede que insiste em permanecer parada sobre o lado esquerdo da minha sensualidade. Unhas brilham e refletem o fogo permanente que brota entre minhas pernas cruzadas e ansiosas em alcançar o divino foco de minha máquina. Detalhes passam despercebidos sob o olhar curioso de quem escreve e narra a cena admirada pela fotógrafa. O botão de power negligencia a escuridão de um monitor feliz em refletir a imagem singela e bela de quem não sabe pra onde olhar. A foto significa a sutil diferença entre ver o que vê a autora ou o que vê quem vê o conceito. Uma tela de algumas polegadas traduz toda a nicotina envolta em meu pulmão fêmea, onde as narinas se afinam nas tragadas flagradas pela lente compulsiva de minha maior arte. E nesse escuro infinito, onde a tela cheia de mim ilumina poucas partes de minha ansiedade, a silhueta inquieta explica ao mundo a visão eterna que terei de mim mesma. Talvez sem o cigarro.

Whatever female

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