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Fora da minha, cara!

Nessa ou naquela hora, ora, por que a cara da gente nunca vai embora?

De vez em quando eu me canso dessa história de dormir e acordar com a mesma cara. Amassada de manhã e desgastada à noite.

Ora, quando vou deixar de ficar na minha cara?

Essa coisa que me representa, que me inquire mesmo no espelho, que me entrega na mentira e que me absolve na verdade.

Essa é a minha cara, às vezes rindo e às vezes chorando. Essa é a minha cara, às vezes feita de pau e às vezes o puro reflexo do coração.

Os dois olhos, as duas orelhas, essa napa no meio da cara e esse buraco com dentes. É disso que sou feito? E é por isso que sou muitas vezes avaliado?

As olheiras só crescem e minha testa fica mais pelancuda. Minhas orelhas parecem aumentar e os pêlos nascem de onde a gente nem imagina.

Quando será que vou embora da minha cara?

Será que só a morte ou um bom cirurgião me farão livre desse rosto trintinha?

Não, não irei morrer ou fazer uma cirurgia pra me ver livre da minha cara. Também não a odeio todos os dias e nem quero viver tão longe dela, mas bem que podia haver uma pausa, uma suspensão de tempo dos meus olhos, uma interdição no meu nariz e uma paralisação da minha boca.

Acordo todo dia e ela está lá, com cara de boba. Às vezes, idiota mesmo. Trouxa.

É nessas horas, ora, que quero viver fora da minha cara.

Whatever faces.

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2009: o ano dos 30!

Meus amigos serão diferentes. Minha alma será diferente. Meus amores serão mais reais e menos platônicos. Meu dinheiro valerá mais. Minhas músicas serão mais emocionantes e meus filmes mais intensos. Meus sabores serão mais ardentes e minha malícia deixará de existir. Meu sussuros serão mais altos e minhas palavras mais calmas e centradas. Minha saudade será maior e meu choro será mais molhado. Minha liberdade será mais solta e minha prisão será, cada vez mais, possível. Meu prazer será mais um presente do que um vício e meu peito doerá mais e com mais força.

As manhãs terão mais significado e as noites serão mais longas. Meu êxtase será mais prolongado e meu tesão será fiel. As menores coisas perderão seus valores e o que realmente importa será mais valorizado. Os cheiros serão diferentes e as madrugadas acordado ao seu lado serão mais poéticas e eternas. Serei romântico até no ronco. Sentirei medo do tempo que passa e do tempo que passo longe de tudo. Serei eu, com 30 anos. Serei eu do mesmo jeito, mas com mais rugas, menos cabelo e com o futuro chegando cada vez mais perto.

Tenho a impressão de que fico mais bobo a cada dia que passa. Serei eu, aos 60, um velho babão?

Whatever age.

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