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Fora da minha, cara!

Nessa ou naquela hora, ora, por que a cara da gente nunca vai embora?

De vez em quando eu me canso dessa história de dormir e acordar com a mesma cara. Amassada de manhã e desgastada à noite.

Ora, quando vou deixar de ficar na minha cara?

Essa coisa que me representa, que me inquire mesmo no espelho, que me entrega na mentira e que me absolve na verdade.

Essa é a minha cara, às vezes rindo e às vezes chorando. Essa é a minha cara, às vezes feita de pau e às vezes o puro reflexo do coração.

Os dois olhos, as duas orelhas, essa napa no meio da cara e esse buraco com dentes. É disso que sou feito? E é por isso que sou muitas vezes avaliado?

As olheiras só crescem e minha testa fica mais pelancuda. Minhas orelhas parecem aumentar e os pêlos nascem de onde a gente nem imagina.

Quando será que vou embora da minha cara?

Será que só a morte ou um bom cirurgião me farão livre desse rosto trintinha?

Não, não irei morrer ou fazer uma cirurgia pra me ver livre da minha cara. Também não a odeio todos os dias e nem quero viver tão longe dela, mas bem que podia haver uma pausa, uma suspensão de tempo dos meus olhos, uma interdição no meu nariz e uma paralisação da minha boca.

Acordo todo dia e ela está lá, com cara de boba. Às vezes, idiota mesmo. Trouxa.

É nessas horas, ora, que quero viver fora da minha cara.

Whatever faces.

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Arquivado em Autobiografia, Infamidades

Só mais um texto esquizofrênico…

Espelho de vida em metades iguais,
Uma lá outra cá.
Cada imagem designa um ser,
Antagônicos por si só.
Enquanto um ri o outro chora,
Quando um chama o outro vai embora.
Só há uma linha tênue de meio termo,
Que me encontro uma vez ao ano,
Mas minha lucidez está em uns dos lados,
Ora lá, ora cá.
É quase uma esquizofrenia consentida,
Pensada e analisada.
É fuga, é solução de vida.
É metade quente e metade fria.
Não há distância e nem local,
É cada igual em euforia.
Simplesmente diferente,
Alheio a mim mesmo em pessoa e prosa.
Qual escreve e qual só sente,
Pra mim eu sou dois,
Pros outros, muitos,
O agora, depois.
Meu maior teste, o texto.

Whatever who?

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