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O que não esqueço

Inunda passo na poça e afunda o piso no troço que enterra a tristeza na fossa e emerge do fundo do poço.

A posse de todo o pescoço endossa o amor pelo moço que coça no vosso desgosto e almoça o caroço que prende seu doce.

Esboce o jeito por vezes insosso e enlace o corpo nesse alvoroço. Acosse e abrace a carcaça até o momento em que peço pra que se satisfaça.

Trespasse esse descontento na face e siga em frente enquanto adoeço. Não lhe peço nenhum tipo de apreço e nem ao menos professo os inúmeros e felizes excessos. Confesso que compadeço, mas amadureço cada vez que anoitece.

Não desfaça todo o trajeto espesso e por vezes possesso em troca de qualquer preço. Recomeço, menos chato e sem rimas, mas reabasteço e te ofereço toda a minha pirraça. Mesmo que comumente isso fracasse, eu esbraveço toda minha arruaça.

Ainda compareço de forme dócil e tacanha e faço aqui um recesso impreciso, fomentado pelo adereço do amor que enaltece o começo avassalador.

Meça direito tudo o que mereço e impeça o regresso da condição de promessa. Cesso aqui essa desgraça de texto inconfesso e me expresso pela última vez sobre o que não esqueço: amo.

So, what?

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Arquivado em impressões, Prazeres

Eu vou, eu vou… pra lá agora eu vou!

Meus pés sujos, tanto quanto as minhas mãos, andam pelo asfalto, ora frio e ora quente, procurando algo que eu já sei que estará lá. O que dá a direção são as tão tracejadas linhas que perfazem o caminho da minha felicidade. Elas já estão lá, desenhadas uma após a outra e esperando que eu ligue os pontos e pinte, como se fosse um caderno de atividades para crianças.

Quando se é criança é apenas mais uma coisa que nós fazemos para exercitar a cabeça e para dar alguns minutos de sossego para nossos pais. Agora não. Agora é diferente. Agora as coisas exigem mais da gente. Exigem traços mais perfeitos, cores mais sutis e paisagens mais belas. Exigem também uma concentração e um foco para que os desejos se concretizem e não nos percamos pelo meio do caminho.

Um passo após o outro e vamos deixando pra trás o que éramos minutos atrás. Aprendi, a duras penas, que eu mudo. Que as minhas ideologias e sentimentos amadurecem e me tornam, ao contrário do que sempre pensei, mais forte e sereno e não fraco e covarde. Aprendi que minha tristeza e a minha felicidade caminham juntas nessa estrada, sempre de mão dupla, como não poderia deixar de ser.

Caminho entre esses dois mundos paulatinamente, sempre procurando o centro, a faixa branca que delimita as minhas atitudes. Há o medo constante que a estrada suma, acabe e não nos leve a lugar nenhum, mas mesmo assim ainda há o prazer inenarrável de ir. Sem muito otimismo e sem nenhum pessimismo. Aceitar as curvas e tentar desenhá-las de modo que possamos andar com relativa segurança e com os pés fincados no chão. Nem que seja apenas um deles.

Ao final, lá no horizonte, ainda bem longe da meta, a estrada ainda é de terra, sem traços, sem asfalto e sem limites. A construção é o que importa. O caminho é a glória. O destino é apenas inevitável.

Whatever highway

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Arquivado em Introspecção, Paz