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Hiking clouds!

Ah, os pés sem chão. Os pés acima de tudo que tocamos e conhecemos. Encarando as coisas e escondendo – durante alguns minutos – a nossa capacidade de não esquecer das coisas. Tão importante quanto lembrar é esquecer. Tão importante quanto esquecer é aprender com esse esquecimento. Transformar as lembranças em coisas novas, reciclar e saber que as coisas acontecem sim por acaso, mesmo que esse acaso seja encarado como destino.

E se o destino for só esquecer das coisas ou não parar de lembrar nunca? De nada adianta a mediocridade da razão se a emoção e a adrenalina são as formas que encontramos de fugir das coisas que mais nos assolam. Numa analogia barata, é como se para secar o chão usássemos apenas água.

O que nos alimenta desesperadamente todos os dias é uma coisa que ainda não entendemos bem, uma coisa que está além do alcance da compreensão ou dessa razão que vos falo. Minha razão só serve para dar asas à minha imaginação.

Do alto da minha cabeça, onde meus olhos vêem e meu corpo pensa, os sentimentos se distinguem em duas categorias: as coisas que eu quero loucamente e as outras que não quero loucamente.

A única coisa em comum, é claro, é a loucura e a ânsia de saber distinguir entre as duas.

Whatever, huh?

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Arquivado em impressões, Introspecção

Meu olhar de saudade

É esse o perfume que me toca. Esse que acabei de sentir e que ainda sinto, mesmo que tenha sido semanas atrás. O cheiro que me proporciona coisas inimagináveis e que aguça a minha saudade a níveis estratosféricos. Meu ânimo aumenta, meu coração aperta e viro criança a cada 7 minutos pra depois voltar a ser adolescente. Meu discurso fica mais animado, mais esperançoso e minha sinceridade se manifesta de maneira intensa, pois pra mim a verdade sempre foi extremamente sexy. Fico bobo, tolo, patético e, talvez essa seja a única situação em que me sinto bem com isso. Minha cegueira se faz presente simbolizando não a razão das coisas, mas a emoção mais pura que possa existir. Fico assim, meio afeto e meio medroso, meio ansioso e meio desesperado.

Esse é o perfume que eu quero e sempre quis. E não me amedronta esse querer absoluto, precipitado e crescente. Pelo contrário. Me afirma e me deixa mais seguro sobre quem eu sou e quem eu sempre fui. As coisas conspiram pra que eu seja menos do jeito que eu sou. Mas de uma maneira irônica e cômica, eu ainda quero ser o que sempre sonhei, apesar dos desmandos da vida.

Eu tô indo cada vez mais longe e as coisas me levam cada vez mais perto. Acho que o segredo é esse: ir o mais longe possível pra voltar rastejando pra onde e pra quem a gente se sente em casa. Jamais subestimarei o destino outra vez.

Whenever, wherever ou just… whatever.

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Minha massa cinzenta é concreto!

A armadilha implacável de uma lição infalível num ritmo alucinante deixou o meu destino, iminente, estagnado e ecoando na minha cachola. De todas as idéias infindáveis que me escorrem cérebro adentro, a mais importante é a última que fica. Toda noite adquiro para o patrimônio que mora dentro da minha cabeça algum princípio idiota que jogarei fora no dia seguinte. São as formas estranhas e um tanto singelas de formação de uma mente insana e humanamente incontornável. Não sou volúvel e nem mesmo mudo de idéia rapidamente. Muito pelo contrário.

Minha cabeça dura e cérebro mole formam um par perfeito para mandar nesse corpo descontrolado que possuo e pretendo manter, mesmo que seja à força e regado à cerveja e loucura. Meu corpo é um lacaio do meu cérebro hiperativo. Eu penso, penso, penso e chego a alguma conclusão que, poucos minutos depois, já não lembro mais. Isso, entre outras coisas, significa que perco mais de dois terços da vida pensando em coisas que jamais sairão debaixo dos meus cabelos. Portanto, ou eu sou um desperdício para mim mesmo ou a punheta mental é essencial à manutenção da minha (in) sanidade, mesmo que não me leve a lugar nenhum. Todas as idéias perdidas – boas ou não – são apenas um reflexo da minha enorme capacidade de fazer as coisas não acontecerem. Sou um empreendedor às avessas e, por incrível que pareça, me absolvo disso plenamente. Sempre consigo achar um jeito mais difícil de fazer coisas que são fáceis. E em hipótese nenhuma admito que isso é culpa minha.

Quando nasci, mamãe, ainda de pernas pra cima e num ato instintivo, disse ao médico que me surrava a bunda com fervor:

– Doutor, eu que já carreguei o menino por 9 meses posso dizer com toda propriedade: não se preocupa em bater nele não que o menino já vai chorar.

Naquele exato momento, ainda lambuzado de sangue e com cheiro de vísceras, eu aprendi – para sempre – que as coisas não precisam sempre acontecer do modo mais difícil, mas há convenções nessa puta dessa vida que dificilmente deixarão de existir.

Whatever brain

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