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Fora da minha, cara!

Nessa ou naquela hora, ora, por que a cara da gente nunca vai embora?

De vez em quando eu me canso dessa história de dormir e acordar com a mesma cara. Amassada de manhã e desgastada à noite.

Ora, quando vou deixar de ficar na minha cara?

Essa coisa que me representa, que me inquire mesmo no espelho, que me entrega na mentira e que me absolve na verdade.

Essa é a minha cara, às vezes rindo e às vezes chorando. Essa é a minha cara, às vezes feita de pau e às vezes o puro reflexo do coração.

Os dois olhos, as duas orelhas, essa napa no meio da cara e esse buraco com dentes. É disso que sou feito? E é por isso que sou muitas vezes avaliado?

As olheiras só crescem e minha testa fica mais pelancuda. Minhas orelhas parecem aumentar e os pêlos nascem de onde a gente nem imagina.

Quando será que vou embora da minha cara?

Será que só a morte ou um bom cirurgião me farão livre desse rosto trintinha?

Não, não irei morrer ou fazer uma cirurgia pra me ver livre da minha cara. Também não a odeio todos os dias e nem quero viver tão longe dela, mas bem que podia haver uma pausa, uma suspensão de tempo dos meus olhos, uma interdição no meu nariz e uma paralisação da minha boca.

Acordo todo dia e ela está lá, com cara de boba. Às vezes, idiota mesmo. Trouxa.

É nessas horas, ora, que quero viver fora da minha cara.

Whatever faces.

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Um textículo confuso!

O dia que foge de mim e a noite que foge do dia. A lua que se opõe ao sol e o sol que não atinge a sombra que vive no breu que habita a solidão. A solidão foge da alegria que evita o medo que nada tem a ver com a coragem. A coragem some de mim que fujo da vida que foge da morte. A morte escapa da luz e vive no escuro que se perde no quarto todas as manhãs. A terra sofre com a água que apaga o fogo que foge do vento.

O vento não foge.

A noite não passa por mim e você não passa do dia. A lua do sol e o sol da sombra. A sombra do breu e o breu da solidão. A solidão da alegria e a alegria, por si só, não vive sem medo. O medo tem medo da coragem e a coragem me habita só de vez em quando. O quando se assusta com o agora e o tempo se afirma com a certeza. A certeza me dá sono. O sono é o cansaço sem dormir e o despertar sem deitar na cama. Minha cama não foge, mas eu vivo fugindo da cama.

Whatever sheep.

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