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Enquanto as horas passam…

Nesse espaço vazio ruge o que há de mais nobre. Na espera do tempo a gente caminha metendo o pé pelas mãos. Numa ânsia revigorada que amanhece a cada dia, a gente sacia a vontade única e desesperada de ser. E não importa o quê ou quão vasta seja essa imaginação. A gente é tudo que deseja se não fosse o senão. Nessa aura de boa vida, bons intentos e maravilhosos momentos, a gente crê que pode o que quiser e na hora que quiser, do mesmo jeito que eu achava quando era criança. Por isso tenho certeza de que não cresci. Meus sentimentos são apenas mais racionais e minhas angústias mais emocionais. Meus amigos são mais loucos, minhas pessoas são mais velhas e jogar botão não faz mais o menor sentido.

Acordo, após noites mal dormidas, com a pressão de todos – inclusive de mim mesmo – para ser, fazer e acontecer. E parece que tanto faz a maneira com que isso será feito. Nunca os fins justificaram tanto os meios como nos dias de hoje. Sinceramente, continuo me atendo apenas ao que me importa sem querer acelerar muito as coisas. Não quero me arrepender de ter perdido o caminho e chegado a algum ponto que não tenha retorno. Minha calma é fria e ressonante, meu coração fica cada dia mais duro e egoísta e meus absurdos são cada vez maiores e intolerantes.

Essa corrida frenética e inconseqüente que a vida nos propõe é que está errada. Minha vida sempre foi movida pela inspiração, por momentos que eu torno inesquecíveis nessa minha cabeça doente, por fatos felizes e por vezes tristes, mas sempre constantes. Ultimamente tenho perdido muita dessas coisas por estar atentamente ligado ao meu futuro e sem tempo pra nada. Quero ler um livro bom sem estar tão cansado, ver um filme bom sem a famigerada dor nas costas que qualquer sofá do mundo me dá, ler um monte de blogs que eu costumava ler ou simplesmente apagar todas as luzes da casa e ouvir uma boa música. Esse mundo de gente adulta é uma merda! Essa correria tem me tomado o que pra mim sempre foi uma das coisas mais preciosas: o bom, velho e subestimado ócio! Ah, que saudade.

Whatever busy

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Arquivado em Autobiografia, impressões