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O farol e eu

O farol, ao alto do mar, é uma ilha sob as nuvens carregadas que virão. Padece a tarde, chega a noite e a escuridão insiste no preto, enquanto apenas uma sóbria luz pisca para alertar a vida. O farol não dá direção. Ao contrário, só indica que há algo no caminho. E o que busca quem está no farol, visto que aponta pra todos os lados?
Eu lhes digo, pois vivo no farol desde pequeno.

Quem mora lá busca, basicamente, paz. Busca estar longe pra pensar perto. Busca a solidão para não sentir solidão. Busca compreender a própria cabeça, identificar o próprio corpo, reluzir sozinho a própria luz.
Quem mora lá busca eternidade. E só é eterno aquele que não tem a quem contar coisas.

Ao aportar no farol, acordo. Volto a fugir desse lugar por onde tanta onda já bateu e tanta gente já passou.

O farol, foi-se. Fiquei eu, alto mar e os pensamentos intransponíveis da vida.

Só.

Whatever lighthouse

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Arquivado em Introspecção, Paz

Pataca Fora de si

Sentado, pelado, ouvindo música e escutando poesia.

Vendo o escuro de forma diferente, sentindo o coração cheio e a cabeça vazia. Visto bota e calço chinelo, sinto o chão no pé. Deito na cama, leio o que escrevi e entendo o que não foi escrito. Imerso, diverso, converso com a fala que ninguém entende, não compreende, sequer aprende e nunca quis aprender. Meus poros suam a idéia de amanhã e terei amnésia de todo o meu pensamento. Acordarei puro, criança, com birra e com pouco cabelo. Quieto, incerto, tossindo a tosse de velho senhor. Arde-me o olho, encolho a cabeça pra dentro do pescoço. Não sou mais moço e esboço a calma de velho senil. Enlouqueço minhas idéias e me perturbo com a falta de eloqüência. Sem seqüência, acabo perdido em meio a cenas em que sou super-herói. Minha cabeça constrói o meu corpo e minha vida que tantas vezes vivi, senti e muitas vezes morri. Não há desespero. Não há pressa. O que interessa é o fim da história. Muitas vezes recrio com absoluta exatidão as nuances de minhas atitudes. Perfeitas. Refeitas milhares de vezes para tal. Meu cérebro é um oito feito incontinenti por uma caneta Bic. As cores mudam. Misturam-se. Formam cores e estados emocionais que não estão na literatura. É pura. Pura e simplesmente loucura.

Whatever nuts

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Arquivado em Autobiografia, Introspecção