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Um amigo!

Em um quarto de roupas verdes claras repousou meu último contato físico. Não transpareceu a morte ou sequer se ouviu um lamento. Esperança o cercava de todos os lados e jamais nos abandonou. Desde a sua última fala, que sussurrou ao meu ouvido com a cabeça apoiada em meus ombros e me dando um abraço, o meu silêncio se tornou a minha maior fé. O ato demorado de cerrar os olhos e calar nossas almas já dura tempo demais, mas continua enchendo o coração de amor e saudade.

E, na verdade, por trás dos olhos tão verdes quanto a roupa do quarto, ainda continua, de alguma forma, vendo e sentindo o que se passa entre nós. O entendimento do que aconteceu não é claro pra ninguém e é demasiadamente doloroso não poder interagir com quem é um sábio nessa arte. Interação essa que ultrapassa os limites do meio físico e das inúmeras gargalhadas que ouvimos sempre de forma tão concreta. E o sentimento é uma coisa difícil de ser compreendida. Tão difícil que extrapola a linha tênue do que é a vida e a morte, mas nos garante contornos intermediários desse parodoxo e nos faz viver indiferentes a essa situação. Cada qual que fez parte dessa vida exprime essa força de uma forma única, mas acredito que todos se ligam a ele em circunstâncias absolutamente singulares para remediar uma nostalgia tão latente.

Não são festas, encontros e muitos menos textos como esse que irão ajudar patologicamente ninguém, mas sempre tentamos, desesperadamente e de uma forma até egoísta, satisfazer esse nosso sincero ímpeto de ajuda. Guardamos na memória as melhores lembranças e lhe damos o reconhecimento tão merecido.

E se não pude fazer nada melhor para ajudar um amigo do que escrever essas linhas, peço perdão, mas dentro do mesmo coração que sente essa saudade imensa, também repousa o sentimento efêmero de que a vida continua. Sempre e pra todos nós.

Wherever you are

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Arquivado em Licença poética, Paz