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O medo!

Sob o muro que divide minha absoluta razão de meu irrefreável medo de insetos, pousou essa criatura bizarra. À primeira vista é apenas um inseto pequeno, definhando atrás de qualquer coisa que satisfaça seu corpo de artrópode. Porém, dentro da minha cabeça ele se torna monstruosamente nefasto. Um bicho capaz de criar as maiores mazelas, de me impor uma insegurança coercitiva. Mesmo com sua importância na cadeia alimentar, no balanço da vida, no come-come diário de todas as espécies, nada me faz gostar, ou ao menos sentir indiferença, de um bicho que possui antenas. Quisera eu poder vê-los apenas assim, parados, estagnados e inertes à frente de uma câmera. Não os odeio por igual. Há os insetos mais simpáticos, inofensivos na aparência e que cumprem seu papel social de modo mais digno do que assustar as pessoas e causar-lhes nojo e náuseas. Noé certamente errou ao pegar um casal de baratas e colocar na arca. A vida seria melhor se todas elas tivessem sumido com o dilúvio. Em defesa deles, digo que somos muito mais cruéis e sanguinários, sem a menor sombra de dúvida. O ser humano é dotado dessa capacidade incrivelmente idiota de achar que um inseto do tamanho de uma unha pode lhe atacar ferozmente a jugular e lhe por a pique em segundos. Plagiando tortamente Blaise Pascal, “tem coisas que a razão desconhece”. Já o medo, lhes digo, é o nosso sentimento mais sincero.

Whatever truth

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Observações

Desrespeitarei toda humanidade, independentemente do sexo, idade, raça ou religião. Farei apologia das coisas mais estapafúrdias. Brincarei com os sentimentos dos outros de forma a causar a maior dor possível. Chatearei e provocarei meus amigos, parentes e seus filhos até tornar sua existência insuportável. Achincalharei todas as minorias. Farei da minha vida um exemplo de intolerância e incompreensão. Glorificarei todo tipo de arrogância, apoiarei todas as reivindicações estúpidas e egoístas. Serei inimigo capital dos casais bem casados, dos amigos de infância e das famílias tranqüilas. Para isso usarei de todos os meios, por mais vis que eles sejam.

Aí acordarei e descobrirei que sou muito bonzinho pra isso e que não chego nem aos pés dos vilões da novela das oito. É duro saber que não sirvo nem pra cometer essas maldades e aquele cara lá, naquele carrão, só se preocupa com isso. Que tolice…

Whatever hero

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