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Desejos!


Eu quero o nome disso. Eu quero o nome das coisas, quero o teor, a procedência. Eu quero saber do que são feitas e quero também um pedaço. Quero compreender o gosto daquilo que me enche de asco. Quero um frasco, um pote, um punhado daquele negócio. Quero saber quando é o fim desse consórcio do corpo, o seu significado, o motivo das cores, do aspecto dócil e doce de cada coisa que me sinto culpado. Quero saber do que se trata a ânsia que habita as minhas coisas e o fundamento exato do eterno batuque dos meus dedos.

Quero ver a minha cara quando converso e sentir o que eu digo aos outros. Quero ver as minhas reações e me julgar apenas pela visão. Quero um pouco mais de instrução. Quero um pouco mais de êxtase, de autoria, quero as coisas mais assimétricas, divididas por categoria. Quero entender a demagogia, habitar a mentira e unir inteiramente minha alma ao meu corpo numa plena orgia. Quero aprender a magoar os outros sem sentir culpa, apenas acreditando naquilo que creio. Quero o egoísmo alheio com seus devaneios.

Quero entender o significado da redenção e o porquê do perdão ser mais valioso do que a integridade. Quero a erudição da calma e a sabedoria do riso. Quero entender mais de improviso nessa tão atrevida e incoerente biografia. Não procuro mais essência.
Quero conhecer a frase que deu início ao prefácio da minha vida.

E eu quero tanto o nome das coisas. Quero saber simplesmente para procurar no Google.

Whatever search

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Arquivado em Autobiografia, Introspecção

Um nome!

Fisicamente: 1,92m, 69 kg, cabelos castanhos claros, pele clara com uma tatuagem enorme nas costas. Um tribal que não quer dizer nada. De dia trabalha numa firma de despachos, fez dois anos de administração e largou a faculdade porque teve uma filha com uma mulher muito bonita que cantava bolas de bingo. Ela perdeu o emprego na crise generalizada dos jogos de azar. Apaixonou-se por essa mulher e ela, por uma circunstância do acaso e motivada por uma numeróloga, virou lésbica. Sua mãe foi prostituta e possui um coração de ouro. Largou a profissão quando, num golpe de sorte, herdou uma pequena fortuna de um de seus clientes. Seu pai ninguém sabe. Irmão adotado, com síndrome de Down, por quem tem imensa paixão. Sai todas as noites que pode, bebe loucamente e conta mentiras de forma aleatória. É bem quisto por todos, pois não tem maldade, apesar de ser chato, irrequieto e discutir com todos em favor do jogo. Ama naipes. Tem uma tatuagem de paus na perna, perto do joelho. Poker. Não gosta do naipe de ouros e aposta tudo que tem em submundos onde todos bebem vodka com licor de café e comem amendoim. Não gosta de cigarro, apesar de viver no meio da fumaça. Embaixo da luz quente dos clubes de jogo, enveredado pelo vício, masca chicletes e faz barulhos com a boca que irrita os outros jogadores. Sempre que tem uma boa mão faz uma bola com o chiclete. Não percebe esse cacoete e vive perdendo seu salário. Sua mulher, a lésbica viciada em números, acabou de entrar na justiça requerendo pensão para sua filha. A filha chama-se Seven, nome roubado de uma idéia vista em Seinfeld. Não espera muito da vida. Espera apenas o croupier sortear as cartas para a próxima rodada e vive reclamando que não consegue blefar.

Preciso de um nome!!! Alguma sugestão?

Whatever name

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Arquivado em Literatura