Arquivo da tag: insetos

O medo!

Sob o muro que divide minha absoluta razão de meu irrefreável medo de insetos, pousou essa criatura bizarra. À primeira vista é apenas um inseto pequeno, definhando atrás de qualquer coisa que satisfaça seu corpo de artrópode. Porém, dentro da minha cabeça ele se torna monstruosamente nefasto. Um bicho capaz de criar as maiores mazelas, de me impor uma insegurança coercitiva. Mesmo com sua importância na cadeia alimentar, no balanço da vida, no come-come diário de todas as espécies, nada me faz gostar, ou ao menos sentir indiferença, de um bicho que possui antenas. Quisera eu poder vê-los apenas assim, parados, estagnados e inertes à frente de uma câmera. Não os odeio por igual. Há os insetos mais simpáticos, inofensivos na aparência e que cumprem seu papel social de modo mais digno do que assustar as pessoas e causar-lhes nojo e náuseas. Noé certamente errou ao pegar um casal de baratas e colocar na arca. A vida seria melhor se todas elas tivessem sumido com o dilúvio. Em defesa deles, digo que somos muito mais cruéis e sanguinários, sem a menor sombra de dúvida. O ser humano é dotado dessa capacidade incrivelmente idiota de achar que um inseto do tamanho de uma unha pode lhe atacar ferozmente a jugular e lhe por a pique em segundos. Plagiando tortamente Blaise Pascal, “tem coisas que a razão desconhece”. Já o medo, lhes digo, é o nosso sentimento mais sincero.

Whatever truth

Anúncios

4 Comentários

Arquivado em Autobiografia, impressões

Mundo animal

Nunca tive espécie. Nunca fui catalogado. Nunca me deram nenhum nome esquisito, tipo, Whatevus Vieiras da família dos Flavius, subespécie dos Palavrinos. Ninguém define a cor das minhas coisas. Ninguém sabe das minhas origens e da minha raça. Nunca fui estudado. Nunca vivi em cativeiro e nunca soube exatamente qual era o meu habitat. Ninguém definiu qual o tipo de grunhido que sai da minha garganta e nunca tive pedigree. Nenhum cientista com PhD em porra nenhuma me inquiriu acerca de meus pensamentos. Todo dia aparece em algum lugar qual o tipo de ração exata para minha subsistência. Eu como num pote e bebo também num pote. Uso garfo e faca apenas por que me ensinaram assim. Sou homem, macaco, ogro muitas vezes e sensível outras tantas. Sou meio bicho do mato, sou meio animal de estima. Penso e logo não entendo o que aquilo quis dizer. Sou racional porque tenho razão, mas nem sempre. Tenho instinto, intuição e mesmo assim ainda ponho meu rabo entre as pernas quando faço o que não devo. Fico feliz em ver as pessoas que amo e faço festa quando tenho saudade. Quando fico doente me isolo, quietinho, e fico gemendo baixinho e sofregamente. Eu lambo. Peço carinho. Arranho. Mordo.
Tudo isso pra dizer que hoje, sem querer, eu lavei o cabelo com o shampoo da minha gata. Tô cheiroso e com o pêlo sedoso. Amanhã eu compro uma coleira com um guiso e saio por aí tilintando minha alegria, sem nenhuma pulga ou carrapato.

Whatever bug

9 Comentários

Arquivado em Autobiografia