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Os 5 sentidos – Olfato

Para ler com ódio no coração.

Aquele pedaço de carne que deixaste na minha casa ainda está lá. E cheira cada vez pior, talvez pela podridão que se encontra ou pela insignificância com que o trato. E, apesar de não chegar mais perto, ainda me incomoda o fato de saber que ainda há esse artefato grosseiro com que tenho que me deparar, mesmo que isso seja raro. Também há outras coisas, como o seu sapato e outras peças de roupa, igualmente mal cheirosas. Também não me poupas de sentir o teu perfume no corpo de outras, principalmente quando subo em elevadores públicos. Ao contrário do que você pensa, aquela lavanda que usas é tão comum como o cheiro de qualquer ralo. E essa sua crina de cavalo, que não lavas para sustentar o penteado, esse emaranhado que funciona como um incenso perverso em cada canto da sala de cada casa em que pisas. O escárnio é a brisa que exala e aromatiza as palavras que ditas. De tão profundas e absurdas não mais escandaliza, pois vem seguida do teu bafo de agouro que remedia qualquer insensatez que brota do teu couro. Se me vendassem e suplicassem para que me lembrasse do teu cheiro, seria sucinto e ligeiro: De todas as coisas sãs que fiz e cheirei, nada se compara a esse pedaço de carne que reclamo para que venhas buscar. Quero de você o cessar, quero liberdade para meu nariz, já cansado de trabalhar. E não foi por falta de tentar que não consegui me acostumar. Passei noites e dias pensando numa solução que pusesse um fim a essa situação. Em vão. Portanto, peço encarecidamente e com a maior educação que se vá, seja com o cheiro que for. Esse pedaço de carne que me refiro é você, embrulhada no lençol e relutante em acordar. Vá atormentar outro e leve um conselho de graça: Confesso que é apenas por pirraça, mas se um bom banho não adiantar, taca fogo que passa.

Whatever people

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