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Realidade

Minha realidade sórdida, redimida e exorcizada me mantém mais sereno que nunca. Meus acasos, minhas agruras, meu temperamento quieto e por vezes impassível me determina uma verdade muito mais engraçada que poderia supor. Minha angústia, superada por muito pelo amargo do acordar, me mantém célebre, onipotente ao espelho, narcisista na minha redoma, incomensurável dentro do meu poder. Não sei como, mas as intempéries do meu humor variam cada vez menos, meu centro tem se tornado maior, meu equilíbrio mais lúcido e minhas fraquezas mais fáceis de suportar. Medo já não há, receio tampouco e minha maior vaidade é supor o que tenho certeza que poderia fazer, apesar de negar veementemente tudo isso. O meu cigarro queima mais rápido, meu copo cede à minha sede com mais velocidade e demoro cada vez menos para saciar meu sono. Tenho me tornado cada vez mais impassível aos sentimentos alheios, sem esquecer meus princípios tão latentes, como sempre foram. Comecei a encarar a sociedade e os fatos que a acompanham como uma grande e enfadonha piada. E, na minha concepção impiedosa e irônica, é exatamente isso de que se tratam esses assuntos triviais. Não dou mais valor a coisas sem valor e nem menos valor ao que é genial. As coisas são o que elas são. E não valem nem mais nem menos por isso. Percebi que a minha loucura é fundamental, é sonora e que há coisas belas e escrotas na mesma proporção em tudo que se pensa ou que se faz.

É por tudo isso que toda noite eu saio por aí vestido de azul e com uma capa vermelha para lutar contra o mal e os maus, pois, após reler tudo que escrevi acima, tenho certeza de que virei um grande e mal amado super-homem.

Whatever hero

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Observações

Desrespeitarei toda humanidade, independentemente do sexo, idade, raça ou religião. Farei apologia das coisas mais estapafúrdias. Brincarei com os sentimentos dos outros de forma a causar a maior dor possível. Chatearei e provocarei meus amigos, parentes e seus filhos até tornar sua existência insuportável. Achincalharei todas as minorias. Farei da minha vida um exemplo de intolerância e incompreensão. Glorificarei todo tipo de arrogância, apoiarei todas as reivindicações estúpidas e egoístas. Serei inimigo capital dos casais bem casados, dos amigos de infância e das famílias tranqüilas. Para isso usarei de todos os meios, por mais vis que eles sejam.

Aí acordarei e descobrirei que sou muito bonzinho pra isso e que não chego nem aos pés dos vilões da novela das oito. É duro saber que não sirvo nem pra cometer essas maldades e aquele cara lá, naquele carrão, só se preocupa com isso. Que tolice…

Whatever hero

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