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Teor

O sumo da fruta próxima, da palavra grossa, da pessoa frouxa. O extrato borda, a letra acorda, o mar centelha numa dança amorfa. As paredes entram, o ar incensa, o espesso afina. Os lares brotam, os filhos parem, as portas morrem no concreto cru. A porra jorra, concentra gozo, invade o poço onde mora o amor. Impera a tora, meu porto a vela, a velha senhora de ossos à mostra. Invade o cheiro, ampara o óvulo, ausculta a parede do corpo inteiro. Corre o plasma, escoa o líquido, sobe à tona sem ar no peito. Respira. Volta e multiplica o espaço, ganha mais um maço, alastra a gosma sem limite de tempo. Avança os lares, ímpares inspirados em terços perfumados, carne que coincide com a sua carne. Estranho pedaço, trêmula chama de memória justa, venha e não avise. Venha e, de repente, torne invisível esse meu mundo possível.

Whatever possible

*Texto escrito para o Blog Rebuliço, da minha irmãzinha Tati Fávaro.

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Arquivado em impressões, Infamidades, Introspecção

Substantivos

Desafiando a sorte,
Em saída de qualquer parte,
Em que predomina o porte,
No que denomina a arte.
Que desfigura a vida,
Que desmascara a fala,
Em ponto que não tem vírgula,
Em frase que a boca cala.
No grito que não tem gesto,
No símbolo que não significa,
Em cada crise de fato,
Que abala, que cria conflito.
O meio que surge mascara,
Esconde na fria metade,
Desespero em choro criança,
Pecado em cabeça de frade.
Toca dentro do peito,
Insurge e treme corpo,
Aquilo que não se explica,
Aquilo que finge desgosto.
Sai de forma rara,
E, triste, toca pra frente,
Sabe que a vida segue,
O nasce que vira poente.
Noite que nasce de dia,
Céu que confunde verão,
De nuvem que não me basta,
De tempo que não me dão.

Whatever rhymes

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