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Antes do fim do dia

O sonho da palavra plano, da textura hoje, do fevereiro pródigo. A casa do amor amigo, do intestino aflito, da namorada longe. O peito do colega ausente, sob a mira à frente de um terço só. Escreve a letra fria sob panos quentes e derrota os males que invadem tristes a cabeça oca. Impera nos dedos duros os sentimentos trêmulos que não seguram seu coração. Bate, volta, ruge e torna possível a mágoa dilacerada de anos longos e piadas prontas. Força o ritmo, esquece a missa e se torna o milagre da sua própria existência. Levanta os mortos, mata os vivos, chora os amigos e dá asas à sua falsa eternidade. Solfeja os sonhos, alimenta o ego e descobre a realidade picada num pedaço velho de papel sujo. Sua alma entrelaça o travesseiro fofo da cama dura e permanece vegetativo sob o lençol que cobre aquilo que você não quer ver. Seu corpo é morto pela sua própria cabeça, que não move mais suas pernas, seus braços e nem seu pau. Em meio ao fevereiro pródigo, de textura hoje, este é o plano pra palavra sonho.

Whatever dream.

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O que não se apaga

Beija o meu beijo e fecha cara e abre a perna e solvendo o seu desejo desespera voz como se esse algoz me deixasse menos desejoso de todo o seu esforço em me compreender. Essa mancha que inibe tristeza que apavora toda essa demora e beleza que enverga o corpo e sufoca o meu peito meio aberto e certo de que esse é o lugar. É essa a tentativa solavanca e enxerida dessa dor mais desvalida e comedida por tentar se afastar de todo modo e todo medo e todo tudo nesse enredo. Esse vôo cego absorve outro sentido e satisfaz essa libido e ultrapassa e me disseca num cavalgo de açoitar. Sua pele em forma líquida escorre tímida e forma poça nesse poço escuro só de entrada que precisa de apupo para a polpa deleitar. Intercedo esse profundo segredo imaginável e escafedo pela porta até o parto que entrecorta e transporta a minha sede e me concede deleite imediato e intensamente caricato. Fecundo meu mundo com a lembrança doce e amarga que propaga e estraga que alimenta e vicia que afugenta e me sacia. No contorno e seus adornos junto aos gemidos mais urdidos e precisamente merecidos é que se encontra o indelével beijo. O indelével beijo. Indelével.

Whatever kiss

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