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Chuva!

O vento venta lá fora e a chuva é questão de espera, não cairá agora, mas não demora. É como a caça diante da fera. E quando cai faz cheirar cheiro de chuva, que molha a terra e cresce planta. Cria também imagem de santa, lavando a casa em uma prece muda. Não perdoa ninguém e nenhuma situação, não perdoa festa e nem ao menos procissão. Molha todos indistintamente, do mais glorioso rico ao pobre moribundo indigente. Nos remete à infância, ao nosso estado criança, quando os pingos caíam na gente como parte do dia e ninguém se importava com isso. Nos lembra um tempo sem compromisso, a vida sem responsabilidade, a existência sem idade, um tempo onde era um primor ser ingênuo. E numa simples comparação entre outrora e os tempos que virão, não conseguimos sequer descobrir a razão de torcermos todos os dias para fazer sol, desprezando a chuva por completo. A chuva só atrapalha, nos molha, nos encharca, maltrata e nos faz mudar de planos. A chuva não é o oposto do sol, pois também chove de noite. São meras gotas que se diluem em muitos enredos que a vida nos dá e tira, pois apesar de longa, a vida é curta demais para a chuva. Ao final, todo mundo reclama, mas ninguém padece. Ao contrário, a água nos dá coragem e marca o momento. Chora a vida, felicita e enobrece. E quando a última gota cai dando fim ao espetáculo e deixando as nuvens mais brancas, leva com ela a certeza efêmera de um belo e ensolarado dia. A chuva é uma eterna injustiçada.

Whatever rain

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