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Teor

O sumo da fruta próxima, da palavra grossa, da pessoa frouxa. O extrato borda, a letra acorda, o mar centelha numa dança amorfa. As paredes entram, o ar incensa, o espesso afina. Os lares brotam, os filhos parem, as portas morrem no concreto cru. A porra jorra, concentra gozo, invade o poço onde mora o amor. Impera a tora, meu porto a vela, a velha senhora de ossos à mostra. Invade o cheiro, ampara o óvulo, ausculta a parede do corpo inteiro. Corre o plasma, escoa o líquido, sobe à tona sem ar no peito. Respira. Volta e multiplica o espaço, ganha mais um maço, alastra a gosma sem limite de tempo. Avança os lares, ímpares inspirados em terços perfumados, carne que coincide com a sua carne. Estranho pedaço, trêmula chama de memória justa, venha e não avise. Venha e, de repente, torne invisível esse meu mundo possível.

Whatever possible

*Texto escrito para o Blog Rebuliço, da minha irmãzinha Tati Fávaro.

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1 comentário

Arquivado em impressões, Infamidades, Introspecção

Só uma brincadeira infame!

Pelo amor
Pêlo em pé
Pêlo paixão
Pelo que é
Um pêlo
Por ela
Pela santa
Pêlo na perna
Sem pêlo
Pela estética
Pêlo prazer
Pela fonética
Parte do pêlo
Pela pele sai
Pêlo à parte
Pelo que cai.
Pêlo amor de Deus
Pelo que cresce na barriga
Pêlos que nascem teus
Pelos que originam a vida.

Whatever for/hair

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