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Resquícios

São sete horas da manhã de uma manhã com chuva. Chuva e ressaca de um sono adiado por sete horas. Há sete dias que bebo sem parar, como se eu tivesse sete fígados ou sete vidas. Nunca gostei de números ímpares, pois acho a divisão perfeita imprescindível. Naquela manhã minha cara estava mais perto do chão, mais perto do lugar que melhor me ampara. O lugar, aqui pra mim, é o meu chão, meu lugar onde os pés se sentem mais perto do descanso. Logo ali, fica o mar, espraiado com seu contorno de areia que suja tudo sem deixar limpo nem sequer o próprio grão. E nem a água limpa o continente. Vi as cores do amanhecer. Minha têmpora de veias saltadas, meus olhos vermelhos e distantes permanecem abertos incessantemente sob a luz de sete sóis e sete luas. O sono me transborda, me acorda e me deixa ver o que madura cedo. Vejo flores e vejo também a trêmula chama quase sem fôlego que abasta uma breve fogueira. Num segundo plano minha memória justa emerge tesa e não me detalha. A cidade agora está paralela a mim, sob esse efeito que parece não ter fim. Não sou mais perpendicular. Nessa manhã descobri que nem a ciência progride e alcança minha matemática bêbada. Um, dois ou sete pontos de apoio não me serão suficientes para sustentar e entender que crescer dói. E dói pra caralho. Dói sete vezes mais que tentar dormir e não conseguir. Sou minha melhor caricatura.

Whatever cartoon

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