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Desejos!


Eu quero o nome disso. Eu quero o nome das coisas, quero o teor, a procedência. Eu quero saber do que são feitas e quero também um pedaço. Quero compreender o gosto daquilo que me enche de asco. Quero um frasco, um pote, um punhado daquele negócio. Quero saber quando é o fim desse consórcio do corpo, o seu significado, o motivo das cores, do aspecto dócil e doce de cada coisa que me sinto culpado. Quero saber do que se trata a ânsia que habita as minhas coisas e o fundamento exato do eterno batuque dos meus dedos.

Quero ver a minha cara quando converso e sentir o que eu digo aos outros. Quero ver as minhas reações e me julgar apenas pela visão. Quero um pouco mais de instrução. Quero um pouco mais de êxtase, de autoria, quero as coisas mais assimétricas, divididas por categoria. Quero entender a demagogia, habitar a mentira e unir inteiramente minha alma ao meu corpo numa plena orgia. Quero aprender a magoar os outros sem sentir culpa, apenas acreditando naquilo que creio. Quero o egoísmo alheio com seus devaneios.

Quero entender o significado da redenção e o porquê do perdão ser mais valioso do que a integridade. Quero a erudição da calma e a sabedoria do riso. Quero entender mais de improviso nessa tão atrevida e incoerente biografia. Não procuro mais essência.
Quero conhecer a frase que deu início ao prefácio da minha vida.

E eu quero tanto o nome das coisas. Quero saber simplesmente para procurar no Google.

Whatever search

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Arquivado em Autobiografia, Introspecção

Qual o tom?

Sob o som original de coisas que me emocionam eu escrevo essas palavras. Um Sol, um Si bemol esquisito, um aqui e muitas sétimas acolá eu deslizo meus dedos sobre o que me complementa. As variações impressionam, salientam e inspiram o talento e a pouca musicalidade que insiste em existir dentro do meu cérebro diapasão. O batuque é intermitente, a melodia é pegajosa e as muitas freqüências transitam no mesmo indiscutível quatro por quatro de minha existência. Sob nonas, quintas, terças e muitas feiras, os dias passam com a clave de um sol extremamente límpido e substancial. Em singelas seis cordas de aço ou nylon a arte influi na vida, nos gestos e atitudes que declaram a música como forma de expressão. Não toco, não canto, não me dignifico entre essa arte, mas compactuo em cada slide entre cada traste, meio tom sobre meio tom. Os dedos se colocam em maiores e menores, sustenidos transeuntes de um braço bêbado, dedilhando a ínfima teoria que pouco vale entre quem consegue fazer a diferença. Somos todos maiores, oitavos inspirados sobre uma das sete artes. Música não é e nunca foi poesia, pois é a mesma coisa. Nunca teve fórmula e, no entanto, é a maior fonte de expressão de qualquer idiota sem cérebro que continua freqüentando a segunda série após decorar a oitava, a sexta, ou a quarta sinfonia de um cidadão sem orelha. Música é alma e estado de graça, onde o desafino é erro cometido no cotidiano de quem mais importa na vida. Amor, ternura e sensibilidade que faz chorar quem prega e finge a dureza harmônica e cristalina sob qualquer outro aspecto da vida, onde o coração forja um paradido fajuto de baquetadas sem pegada alguma. É um mundo onde cifras, tablaturas e audições mais atentas desmistificam ídolos e apagam a admiração contumaz e desenfreada sobre qualquer ser humano. Há extraterrestres, sem dúvida. Há também pessoas frustradas, como quem vos escreve, que sempre sonhou em ser lírico, poético e numa simples tríade de palavras conseguir expressar um monte – ou poucas e singelas – notas que delimitassem a sutil diferença entre a emoção e a euforia.

Whatever tone

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