Arquivo da tag: beijo

O que não se apaga

Beija o meu beijo e fecha cara e abre a perna e solvendo o seu desejo desespera voz como se esse algoz me deixasse menos desejoso de todo o seu esforço em me compreender. Essa mancha que inibe tristeza que apavora toda essa demora e beleza que enverga o corpo e sufoca o meu peito meio aberto e certo de que esse é o lugar. É essa a tentativa solavanca e enxerida dessa dor mais desvalida e comedida por tentar se afastar de todo modo e todo medo e todo tudo nesse enredo. Esse vôo cego absorve outro sentido e satisfaz essa libido e ultrapassa e me disseca num cavalgo de açoitar. Sua pele em forma líquida escorre tímida e forma poça nesse poço escuro só de entrada que precisa de apupo para a polpa deleitar. Intercedo esse profundo segredo imaginável e escafedo pela porta até o parto que entrecorta e transporta a minha sede e me concede deleite imediato e intensamente caricato. Fecundo meu mundo com a lembrança doce e amarga que propaga e estraga que alimenta e vicia que afugenta e me sacia. No contorno e seus adornos junto aos gemidos mais urdidos e precisamente merecidos é que se encontra o indelével beijo. O indelével beijo. Indelével.

Whatever kiss

Anúncios

6 Comentários

Arquivado em impressões

Essência


All rights reserved.

Não vejo mulheres pintadas. Não entendo esse artefato feminino de atração. Olho para a boca, beijo a boca, mordo a boca, mas não me apetece o batom. Admiro olhos, o nariz, o jeito, a sensualidade e o charme, não o batom. Prefiro mulheres sem esse colorir. Prefiro mulheres realçadas em branco e preto. Mulheres que não disfarcem seus defeitos, mulheres que não se escondam atrás de um par de sapatos, mulheres que vivam apesar dos enfeites. Considero os adornos essenciais, cruciais para a intimidade da mulher com ela mesma, porém, prefiro um rosto amassado e com cheiro de lençol e travesseiro a qualquer pó que ela tenha no rosto, por mais caro que seja. Em todas as minhas saudades e lembranças, nunca sequer lembrei do batom, da maquiagem ou do sapato que a mulher usava. Lembro sempre, angustiantemente, do cheiro do pescoço, do olhar inchado e do bafo matinal ao me acordar com um beijo. Não condeno o batom, o perfume ou o escovar dos dentes, mas a essência feminina é crua, nua e despudorada. O fingir das linhas de expressão nos esconde a experiência, as risadas, o choro tantas vezes derramado e enterrado dentro de algum lugar escondido por cores artificiais. Não quero parecer simplista ao afirmar que a maquiagem apenas camufla sentimentos. Nem que desgosto de toda e qualquer pintura feita na cara. Apenas escrevo que a beleza não pode ser ressaltada, que a sensibilidade não pode ser aumentada apenas com uma pincelada na cara, que a sensualidade não é algo que se consiga olhando para um espelho. Não julgo as mulheres, apenas as sinto. Não as julgo pela maquiagem, tento ver através dessa máscara. Não julgo o batom, tento apenas tirá-lo o mais rápido possível com um beijo que me deixe marcado com seu mais profundo sentimento.

Whatever beauty

4 Comentários

Arquivado em impressões