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Paranóias

Há algum tempo eu peguei emprestado um livro do meu irmão chamado O ponto de desequilíbrio (Tipping Point) de um cara chamado Malcolm Gladwell, também autor de Blink.

Alguns livros já mudaram a minha vida, mas nenhum – com convicção – mudou tanto quanto esse. Não é nenhum livro de auto-ajuda, pelo amor de Deus. Na verdade é um livro que analisa, com base em dados, os incentivos que proporcionam o sucesso de uma política, de um produto e que pode, facilmente, ser adaptado a qualquer aspecto da vida de uma pessoa.

Pois é, acontece que eu comecei a “praticar” comigo mesmo, tentando gerar o ponto de desequilíbrio da minha vida e conseguir virar um puta cara bem sucedido em tudo o que eu quisesse.

E deu certo!!!

Hoje em dia me encontro completamente desequilibrado, mancando de uma perna, com um calombo no pulso, com a boca toda fudida, sem grana e precisando urgentemente de um Gardenal ou algo que o valha.

O livro realmente é muito bom, mas desaconselho a pessoas influenciáveis por esse tipo de coisa, como eu, por exemplo.

Da última vez que fiquei assim também foi por causa de um livro. Eu comprei um livro que “ensinava” a ler as linguagens corporais. Muito maluco o negócio. Você começa a prestar atenção nas reações das pessoas em qualquer lugar que você vá ou esteja. Fiquei por alguns meses assim, analisando friamente todas as pessoas e achando que eu conseguiria me tornar um mega vidente apenas com a observação.

Acontece que em um dos capítulos do citado livro, a vagabunda da autora dizia que, se você, ao cumprimentar uma pessoa, tocar levemente no cotovelo dela, a chance de haver uma boa impressão aumentava consideravelmente.

O que aconteceu? Este que vos escreve começou a tentar tocar o cotovelo de todo mundo que eu conhecia. E convenhamos que isso não é uma tarefa fácil, ainda mais quando você o faz premeditadamente. No final das contas eu até consegui algumas tocadas no cotovelo, mas tenho certeza de que funcionou exatamente ao contrário. Todas as pessoas devem ter me achado esquisito ou completamente maluco, o que, na verdade, é o que eu sou.

Escrevi toda essa baboseira porque tenho ouvido bastante gente falar e escrever sobre O Segredo. Estou morrendo de curiosidade, mas cheio de medo que algum mal me aconteça quando eu começar a mentalizar o que eu quero. Freud explica.

Whatever madness

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Arquivado em Autobiografia, impressões