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Amor sublime amor

Nas últimas vezes ela tem sorrido mais. Tem estado mais simpática e mostra cada vez menos indiferença à minha constante e insistente presença. A procuro sempre que posso, olho fotos o dia inteiro. Tenho muita saudade e vontade de estar perto, mas, infelizmente, nem sempre posso. Ela, ao contrário, nunca me liga, nunca me procura e me trata muitas vezes com desdém. Mas apenas um sorriso seu me traz uma felicidade incontrolável e, ainda bem, difícil de digerir. Persisto em fazê-la me amar, como se isso fosse possível a essa altura. Ainda hei de conseguir. Seu olhar não demonstra gratidão pelos inúmeros presentes que já lhe ofertei. Inútil dizer que nunca ganhei nada dela, a não ser a sua insuperável forma de vida. Sua loirice de olhos azuis estonteantes me mata de ciúmes que reprimo veementemente dos pés à cabeça. Minha disposição com ela é interminável, algo que, até hoje, só ela conseguiu. A paciência não se esgota, brota do mais profundo e sincero amor que despendi a alguém que simplesmente não se importa. Muitas vezes isso não me basta e me afasta por poucas horas, mas retorno sempre sem nenhum arrependimento e com a imensa e imponderável saudade que me arremete desde que a conheci. Perfaço integralmente todos os seus passos, abraços e beijos econômicos ao qual tive a sorte de ganhar. Já vi e vivi situações com ela às quais, normalmente, deveria ter me causado nojo ou, no mínimo, certo constrangimento. Nem isso me afastou e dei ainda mais risada, apaixonado pelo seu jeito pouco ortodoxo de se comportar.
Continuo assim, um condenado a amá-la e com o desejo de que ela, acima de tudo, seja feliz. Felicidade esta que, hoje em dia, se resume a qualquer brinquedo colorido que faça algum tipo de barulho. E não me importa se ela dá bom dia à parede, beija o vidro e, rindo, tenta abraçar um raio do sol. Quisera eu fazer isso todo dia, sem nenhuma preocupação. No alto de seus poucos meses de vida ela é quase toda composta de choro, meiguice, sujeira e mimo. Merecidamente e com muito amor.

My Lu.

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Arquivado em Autobiografia

Um amigo!

Em um quarto de roupas verdes claras repousou meu último contato físico. Não transpareceu a morte ou sequer se ouviu um lamento. Esperança o cercava de todos os lados e jamais nos abandonou. Desde a sua última fala, que sussurrou ao meu ouvido com a cabeça apoiada em meus ombros e me dando um abraço, o meu silêncio se tornou a minha maior fé. O ato demorado de cerrar os olhos e calar nossas almas já dura tempo demais, mas continua enchendo o coração de amor e saudade.

E, na verdade, por trás dos olhos tão verdes quanto a roupa do quarto, ainda continua, de alguma forma, vendo e sentindo o que se passa entre nós. O entendimento do que aconteceu não é claro pra ninguém e é demasiadamente doloroso não poder interagir com quem é um sábio nessa arte. Interação essa que ultrapassa os limites do meio físico e das inúmeras gargalhadas que ouvimos sempre de forma tão concreta. E o sentimento é uma coisa difícil de ser compreendida. Tão difícil que extrapola a linha tênue do que é a vida e a morte, mas nos garante contornos intermediários desse parodoxo e nos faz viver indiferentes a essa situação. Cada qual que fez parte dessa vida exprime essa força de uma forma única, mas acredito que todos se ligam a ele em circunstâncias absolutamente singulares para remediar uma nostalgia tão latente.

Não são festas, encontros e muitos menos textos como esse que irão ajudar patologicamente ninguém, mas sempre tentamos, desesperadamente e de uma forma até egoísta, satisfazer esse nosso sincero ímpeto de ajuda. Guardamos na memória as melhores lembranças e lhe damos o reconhecimento tão merecido.

E se não pude fazer nada melhor para ajudar um amigo do que escrever essas linhas, peço perdão, mas dentro do mesmo coração que sente essa saudade imensa, também repousa o sentimento efêmero de que a vida continua. Sempre e pra todos nós.

Wherever you are

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Arquivado em Licença poética, Paz