Is It truth?

Entre o orgasmo pródigo e a lúxuria constante, a imaginação amniótica e a precisão cirúrgica das ferramentas de incisão. O aprendizado amador de letras borradas e palavras muitas vezes escondidas entre as frases refeitas. A intensa vontade de adaptação ao coletivo ao que importa naquele momento, sem precisar esclarecer o que há dentro das suas vontades mais fundas.
Ser verdadeiro é difícil. Tão difícil quanto ser.
Verdade.

Whatever you say

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Arquivado em impressões, Introspecção

Sensações estranhas

Ao vento há o desprezo pelas gotículas de água que insistem em esguichar no rosto. Sem gosto aparente, a ansiedade cresce através dos poros um suor límpido, diferente do habitual. As mãos trêmulas que inundam a parte lateral da calça e da camisa cortam o ar de forma inusitada, nervosa, fazendo o mesmo vento ventar para os dois lados. O pescoço endurece de forma acentuada todas as agruras do cotidiano e, num ato de disfarce, a cabeça balança aos lados tentando, em vão, estalar todas as maltratadas vértebras. O olhar desesperado e esperançoso lançado para os lados não tem alvo. Tem somente a visão deturpada da paisagem horripilante e a agonia presente nas inúmeras batidas que o coração dá por minuto. O corpo tem como única e exclusiva preocupação continuar a se mexer freneticamente, pois a sensação de quietude é dolorosa ao extremo. Os olhos também suam. A loucura não é tão silente quanto imaginava, pois há comunicação entre o cérebro e a porção corpo, mesmo que involuntária. A sensação fria e refrescante de um copo de água faz bem. O corpo ainda cambaleante se dirige ao quarto escuro e se aconchega em posição fetal sobre a cama, quase que implorando por algumas horas de sono. As juntas da carcaça maltrapilha rangem alto, num pedido suplicante de descanso e hipocondria. As reações que se seguem são perturbadoras. A mente, normalmente aliada, trabalha contra o corpo e, por mais poderosa, cria espasmos e sensações únicas. O medo da morte ou de algo ainda pior é o único pensamento possível. E não há fuga, sonhos ou cores. O mundo se torna apenas um pensamento cinza. O medo é da loucura, que bate à porta sem pedir licença e destrói a estrutura de anos e anos de racionalidade consentida. É o poder da obsessão em essência.

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Figuras de linguagem

Fêmea dócil. Pacata ser humana. Calma, fácil. Tranquilo grito profano. Desde as abas que sobrepujam os andares mais acima até as fases que sobrecarregam os andares de baixo. Sangue. Esse berro desumano, incontrolável apetite de intranquilidade. Esse termo ensandecido, asonado de olhos tristes, vermelhos, olheiros de outro certame qualquer.

Mulher frágil. Agoniada ser humana. O que não se bota no feminino, a gramática perdoa quando humanidade se torna adjetivo. Nervosa, dificil mesmice sagrada. Onde acordam as abas dos andares de cima, se fecham os andares de baixo. Amor. Esse urro humano, sobretudo, controla o apetite da tranquilidade.

A espera cretina, a sincera mentira que tolera a pertinência tranquila. Frases que controlam o âmago e seguram o ego. Sentimento que inspira a mais pura ansiedade. Que administra em doses lentas a animosidade de um par.

Par ou ímpar?

Whatever game

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Teor

O sumo da fruta próxima, da palavra grossa, da pessoa frouxa. O extrato borda, a letra acorda, o mar centelha numa dança amorfa. As paredes entram, o ar incensa, o espesso afina. Os lares brotam, os filhos parem, as portas morrem no concreto cru. A porra jorra, concentra gozo, invade o poço onde mora o amor. Impera a tora, meu porto a vela, a velha senhora de ossos à mostra. Invade o cheiro, ampara o óvulo, ausculta a parede do corpo inteiro. Corre o plasma, escoa o líquido, sobe à tona sem ar no peito. Respira. Volta e multiplica o espaço, ganha mais um maço, alastra a gosma sem limite de tempo. Avança os lares, ímpares inspirados em terços perfumados, carne que coincide com a sua carne. Estranho pedaço, trêmula chama de memória justa, venha e não avise. Venha e, de repente, torne invisível esse meu mundo possível.

Whatever possible

*Texto escrito para o Blog Rebuliço, da minha irmãzinha Tati Fávaro.

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Falando com “eu”

A cama torta, o lençol teso, o travesseiro preso. O olhar vago, o teto preto, o som calado. O sonho longe, o sono perto, o olho fechado. Dormiu?
Não.

Whatever zzz…

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O farol e eu

O farol, ao alto do mar, é uma ilha sob as nuvens carregadas que virão. Padece a tarde, chega a noite e a escuridão insiste no preto, enquanto apenas uma sóbria luz pisca para alertar a vida. O farol não dá direção. Ao contrário, só indica que há algo no caminho. E o que busca quem está no farol, visto que aponta pra todos os lados?
Eu lhes digo, pois vivo no farol desde pequeno.

Quem mora lá busca, basicamente, paz. Busca estar longe pra pensar perto. Busca a solidão para não sentir solidão. Busca compreender a própria cabeça, identificar o próprio corpo, reluzir sozinho a própria luz.
Quem mora lá busca eternidade. E só é eterno aquele que não tem a quem contar coisas.

Ao aportar no farol, acordo. Volto a fugir desse lugar por onde tanta onda já bateu e tanta gente já passou.

O farol, foi-se. Fiquei eu, alto mar e os pensamentos intransponíveis da vida.

Só.

Whatever lighthouse

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Meu chão

Aqui o chão que piso cessa. Cassa a pegada frágil no caminho torto e apertado por onde piso. Meus pés descobrem a linha tênue e simples de coisas que havia esquecido. Param as pernas de andar por onde caminho. Aqui o piso cessa. Me cede o chão e me mede o princípio. Seca o tempo da couraça e poupa o nervo que dissolve quando encontra a minha casca. Abraça o chão. Voa cego na escuridão e orbita de peito aberto na mais vaga ilusão. Aqui nessa sombra que me engole, nessa massa que me mancha, nessa mesa que me mata.

Aqui o piso cessa.

Nessa mesma brasa que ilumina esse breu. Nesse mesmo contorno por onde pesam o resto de mim acima do chão. Atravessa até onde não exista mais teto no andar de baixo. Aqui o piso insiste em permanecer sobre o pé. Não há acesso à falta de gravidade. É treva a terra que não cede. Aqui o piso cessa. Aqui o piso não tem paz.

Whatever floor

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