Instrospecção

Aquela alma calma, recôndita e serena entre a pessoa translúcida e a fraqueza aparentemente estúpida mostra a riqueza da face obscena. A espera descansa e esbanja na letra aquilo que prova que a magia é maior e mais latente que qualquer anomalia. Entre as frases tristes, chorosas, se vê um mundo de outras coisas claramente menos enigmáticas. Entender as palavras é fácil. Entender a alma humana é complicado, mas é uma das coisas pra qual mais tenho talento na vida. Acredito nisso piamente.

Whatever comprehension

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Palavras sem leitura

Essa mania constante e soberba da forma mais contrastante de dizer palavras. Essa forma abstrata, ignorante e infame de tratar o que é complicado como se fosse simples. Ignorar, ridicularizar, mostrar ao extremo que as partes que formam o todo parecem frágeis demais frente aos acontecimentos recentes. Subestimar pessoas, julgar métodos, mensurar o destino a fim de manipular a história das pessoas e das coisas.

Entender o olhar e o franzir da testa. Saber que o lábio torto demonstra insatisfação e as covinhas nem sempre são tão amigáveis quanto a inocência de uma criança.

Sensibilizar a razão requer prática.

Racionalizar o sentimento é sempre – sempre! – uma forma decrépita de mostrar ao mundo que o concreto não é mais duro que a sua cabeça.

Whatever sign

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Is It truth?

Entre o orgasmo pródigo e a lúxuria constante, a imaginação amniótica e a precisão cirúrgica das ferramentas de incisão. O aprendizado amador de letras borradas e palavras muitas vezes escondidas entre as frases refeitas. A intensa vontade de adaptação ao coletivo ao que importa naquele momento, sem precisar esclarecer o que há dentro das suas vontades mais fundas.
Ser verdadeiro é difícil. Tão difícil quanto ser.
Verdade.

Whatever you say

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Sensações estranhas

Ao vento há o desprezo pelas gotículas de água que insistem em esguichar no rosto. Sem gosto aparente, a ansiedade cresce através dos poros um suor límpido, diferente do habitual. As mãos trêmulas que inundam a parte lateral da calça e da camisa cortam o ar de forma inusitada, nervosa, fazendo o mesmo vento ventar para os dois lados. O pescoço endurece de forma acentuada todas as agruras do cotidiano e, num ato de disfarce, a cabeça balança aos lados tentando, em vão, estalar todas as maltratadas vértebras. O olhar desesperado e esperançoso lançado para os lados não tem alvo. Tem somente a visão deturpada da paisagem horripilante e a agonia presente nas inúmeras batidas que o coração dá por minuto. O corpo tem como única e exclusiva preocupação continuar a se mexer freneticamente, pois a sensação de quietude é dolorosa ao extremo. Os olhos também suam. A loucura não é tão silente quanto imaginava, pois há comunicação entre o cérebro e a porção corpo, mesmo que involuntária. A sensação fria e refrescante de um copo de água faz bem. O corpo ainda cambaleante se dirige ao quarto escuro e se aconchega em posição fetal sobre a cama, quase que implorando por algumas horas de sono. As juntas da carcaça maltrapilha rangem alto, num pedido suplicante de descanso e hipocondria. As reações que se seguem são perturbadoras. A mente, normalmente aliada, trabalha contra o corpo e, por mais poderosa, cria espasmos e sensações únicas. O medo da morte ou de algo ainda pior é o único pensamento possível. E não há fuga, sonhos ou cores. O mundo se torna apenas um pensamento cinza. O medo é da loucura, que bate à porta sem pedir licença e destrói a estrutura de anos e anos de racionalidade consentida. É o poder da obsessão em essência.

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Figuras de linguagem

Fêmea dócil. Pacata ser humana. Calma, fácil. Tranquilo grito profano. Desde as abas que sobrepujam os andares mais acima até as fases que sobrecarregam os andares de baixo. Sangue. Esse berro desumano, incontrolável apetite de intranquilidade. Esse termo ensandecido, asonado de olhos tristes, vermelhos, olheiros de outro certame qualquer.

Mulher frágil. Agoniada ser humana. O que não se bota no feminino, a gramática perdoa quando humanidade se torna adjetivo. Nervosa, dificil mesmice sagrada. Onde acordam as abas dos andares de cima, se fecham os andares de baixo. Amor. Esse urro humano, sobretudo, controla o apetite da tranquilidade.

A espera cretina, a sincera mentira que tolera a pertinência tranquila. Frases que controlam o âmago e seguram o ego. Sentimento que inspira a mais pura ansiedade. Que administra em doses lentas a animosidade de um par.

Par ou ímpar?

Whatever game

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Teor

O sumo da fruta próxima, da palavra grossa, da pessoa frouxa. O extrato borda, a letra acorda, o mar centelha numa dança amorfa. As paredes entram, o ar incensa, o espesso afina. Os lares brotam, os filhos parem, as portas morrem no concreto cru. A porra jorra, concentra gozo, invade o poço onde mora o amor. Impera a tora, meu porto a vela, a velha senhora de ossos à mostra. Invade o cheiro, ampara o óvulo, ausculta a parede do corpo inteiro. Corre o plasma, escoa o líquido, sobe à tona sem ar no peito. Respira. Volta e multiplica o espaço, ganha mais um maço, alastra a gosma sem limite de tempo. Avança os lares, ímpares inspirados em terços perfumados, carne que coincide com a sua carne. Estranho pedaço, trêmula chama de memória justa, venha e não avise. Venha e, de repente, torne invisível esse meu mundo possível.

Whatever possible

*Texto escrito para o Blog Rebuliço, da minha irmãzinha Tati Fávaro.

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Falando com “eu”

A cama torta, o lençol teso, o travesseiro preso. O olhar vago, o teto preto, o som calado. O sonho longe, o sono perto, o olho fechado. Dormiu?
Não.

Whatever zzz…

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