Arquivo da categoria: Ofensas

Sobre o que vejo…

Agora exonera essa farsa que vigorou outrora na minha cara. Também pudera! Essa farpa de cera que acende essa vela afora, só acalora o buraco que mora dentro do peito.

Dilacera essa âncora e escancara essa vara que impera aliciadora no meio da perna. Dispara essa espera agora, amadora senhora que declara seu tiro e reverbera cantora nessa voz que agoura e encara esse grande suspiro. Pantera que era, venera essa fera afora e separa teu choro pra outra hora.

Na próxima aurora, embora contrapopusera, teu mimo que sara a cada amanteigada sincera, impede essa rara e controversa demora, enganadora das tuas vestes e escultora dos teus transpiros. Ora, pecadora por ora e pagadora quando lhe retorna a penhora, prolifera a tara e sara quando aparece em outra seara.

Conspiro por vezes contra essa nobre pastora de gostos tão vis e patrocinadora de causas austeras. Dentro de toda megera mora e opera uma tutora traidora das próprias ulceras internas.

O mundo nunca foi tão dissimulado.

So, whatever.

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Um conto infantil pra adultos

Essa é a mulher gigante.

De pernas longas e corpo desproporcional.
Uma pessoa mutante, com bócio nas pernas e tamanho descomunal.

Sua cabeça minúscula pensa nas coisas pequenas, que ela alcança com seus dedões em riste.
Mas do alto de seus braços turvos, ela vê o mundo triste.

E mesmo na praia, onde as ondas ficam na areia,
não há nada que a distraia, pois a solidão a sombreia.

Nos dias bonitos ela sai de casa, enorme recôndito de paralisia.
Acaba sempre nas fotos, titubeando entre o marasmo e a alegria.

A terra mal suja seus pés, pois não há areia que lhe caiba no sapato.
Já o céu, azul em seu esplêndido, mostra que há mais em seu formato.

Mas ela é ainda menor que os prédios ao fundo,
talvez a única coisa no mundo que entenda o que ela quer.

Na luz da manhã, sem porvir e nem torpor,
a mulher gigante aparece para dar todo o seu amor.

E as pessoas fogem, andando apressadas ao caminho do fim.
Ela, ao contrário, fica parada admirando sua própria sombra eternizando um pedaço de mim.

As pegadas que percorrem seu corpo e escalam seus ombros são meros devaneios tolos a lhe torturar.
Só servem de história que ela, relutante, nunca quer contar.

No caminho pra casa, bem longe do pé-de-feijão, a giganta se ajoelha em frente ao mar e, por alguns segundos, chora.
Por que esse corpo tão grande foi aflorar, ela implora.

Ninguém entende sua aflição. Pra ela, ser diferente nunca foi opção.
Afortunada em seu tamanho, a mulher perscruta: dos pés à cabeça são 5 metros de puta.

So, whatever.

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Uma dose de verdade

Minha soberba abasta a base da minha cabeça. Sussura solfejos a altura da lua e destrói em solavancos a grande beleza da melancolia. Seu choro contido e próspero se faz próprio de sua tristeza protetora de si mesmo. Esse escudo duro e inviolável em que vives não esconde a metáfora e a ironia da vida. Não perfaz a mediocridade do que sentes e nem enriquece de amor só dos outros. Sua linha tênue, desandada desde sempre, entre a marca e o propósito condiz com seus sapatos de longos saltos e sua vasta cabeleira sempre bem escovada. Suas cores são sempre artificiais, bem notadas combinações de amargura e sofrimento misturadas com essa vaga e indecisa felicidade que sentes vez em quando.

Nas noites claras, onde a luz da noite alumia mais os pensamentos, suas entranhas entram ainda mais pra onde ninguém consegue alcançar. Nos dias escuros, ainda mais soturnos que as noites mais negras, sua imprecisão se torna mais visível e transforma suas virtudes, até então duvidosas, em certezas efêmeras da sua personalidade. Você é mais você quando acha que está sendo má. Você soa mais falsa quando pratica o bem. Esse sereno que paira sobre as suas nuvens sucumbe a toda chuva que enfim possa lhe acertar a prosopopéia e limpar um pouco feiura da sua existência. Sua alma suja e infecta de preconceitos e superficialidades sujeita aos outros a absoluta e transparente medida da sua inconstância.

Seu andar, pé pós pé, sincroniza invertidamente com o balançar de seus braços, mão ante mão. Isso é irritante. Você é, sem dúvida, uma pequena porção daquilo que detesta. Você é, sem dúvida, uma porção generosa da sua insignificância.

But, who cares? Whatever…

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Shakespeare, a novela das 8 e uma porção de barbaridades!

Alguém pode me dizer uma coisa mais chata que os dilemas presentes na dramaturgia? Odeio dilemas. Eu sei que uma boa peça de teatro, novela (eca!), livros e outras formas de manifestação artística devem suscitar grandes problemas, até para que possamos nos identificar com a história, visto que eu não sou o Antônio Fagundes e nem me pareço com o Brad Pitt e sei que você aí também não é parecida com Jennifer Aniston ou com a Angelina Jolie. Mas não façamos disso um problema. Eu sou eu e você é você, pobre leitor que insiste em ler esse monte de porcaria que escrevo.

Voltemos aos dilemas.

O mais antigo deles – pelo menos que lembro agora – é o do Hamlet (Shakespeare): “ser ou ser, eis a questão!”.  Que caralha isso quer dizer?

Tornou-se uma das frases mais famosas da literatura mundial e é absolutamente um dizer precário, indeciso, livre de argumentações e que exprime de forma difícil a frase que eu vivo dizendo quando acabei de encher a cara: “Fudeu! E agora?”.

E não venham os letrados me dizer que a duvida de Hamlet era matar ou não o seu tio que havia assassinado seu pai, o rei, porque estava louco para comer sua mãe, a porra da rainha da Dinamarca. Quem em sã consciência teria essa dúvida descabida? Me diga aí: O cara mata seu pai e quer fuder sua mãe e você faz o quê? Um bolo de fubá?

Ok, os tempos eram outros e talvez a literatura cotidiana e o romantismo tivessem licenças poéticas.

E os filósofos também se mandem daqui rápido antes de surgir algum outro significado esdrúxulo que tente explicar que o tal do “ser ou não ser” é mais do que apenas uma frase que Shakespeare (genial, que fique claro!) escreveu quando estava bêbado no canto do seu quarto iluminado apenas por luz de velas.

Mas o pior mesmo são os dilemas das novelas, obviamente sem comparar Shakespeare com o Miguel Falabella, que até hoje faz a mesma pergunta que Hamlet fez apenas uma vez, mesmo que descabida.

Não sei como as pessoas se identificam com as novelas, cada vez mais mal escritas e pobres de espírito e coerência. Eu concordo que, se você está pensando em matar alguém para poder ficar com a grana dessa pessoa ou simplesmente por amor, você tem um dilema e tanto, apesar disso não ser, claramente, uma solução plausível. Mas eu consigo entender que a natureza humana é capaz de tudo, mesmo achando absurda a freqüência que isso acontece entre os atores da Globo, por exemplo.

O que eu não entendo é o motivo pelo qual ninguém procura solução pra nada. Acho isso uma afronta à inteligência das pessoas. É como se toda sua família e amigos só lhe respondessem com outras perguntas e, num belo e ensolarado dia, todos eles resolvessem, ao mesmo tempo, lhe dar todas as respostas de uma vida inteira. Quem agüentaria tanta verdade assim de uma vez só?

E a falta de humor nos dilemas? Por que tudo tem que ser tão cinza e com cara de choro? Não vejo a Cláudia Raia rir numa novela desde que eu tinha 10 anos de idade. Toda vez que, de relance, eu a vejo na tela, ela está mais triste e preocupada. Nunca a vi contar uma piada, discutir com o guardador de carros ou tropeçar nas próprias pernas desproporcionais ao seu corpo de bailarina (sic). Puta mulher chata do cacete. Se eu escrevesse novelas, mataria ela sempre no primeiro capítulo, e sempre de varizes.

Você aí que gosta de novelas não se sinta ofendido, por favor. Ou fique e comece a ter crises existenciais que o levarão a um único e definitivo dilema: desligar ou não, eis a questão!

To be or not to be? Ah, whatever!

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Os 5 sentidos – Tato

Leia como se estivesse xingando alguém.

Não, não me toca. Tira essa mão suja e podre de cima de mim. Arranca esse corpo imundo, obra de um destino torto e sem a menor previsão. Essa tua forma de gente nessa pele obsoleta, essa tua fome de pele e de pêlo, esse contato enfadonho e digno de pena, essa tua presença pequena que corrobora apenas a tua superfície. Essas tuas cores mal cheiradas por essa colônia barata e esses cabelos espalhados por esses lugares onde não deveria, absolutamente, haver nada. Não te sinto, não sinto o teu contato, não vejo nada de concreto nesse teu mundo indignamente abstrato. Sofro só as regalias dessa sua desvalida obsessão, a tua ânsia e a tua perda pela força de um toque. Essa obra em que te metes, que pensas criar com extrema exatidão e genialidade é a invenção mais fria e pusilânime da tua criação. Esse toque, esse açoite que faz pelas mãos, esse chicote que permeia meu corpo nessa agressão que não tem perdão é a tua maneira mais sincera de expressar o que sentes. E, como se não soubesse dessa tua insanidade, que julgas ser teu lado mais quente, tua maneira mais consciente de demonstrar afeto e amor, faz isso deliberadamente, da maneira que mais me incomoda.

No dia em que te enterrarem a sete palmos, dentro de um caixão bem grosso onde possas sentir a plenitude da tua companhia, saberá exatamente o que é conviver com tuas carícias e afagos.

Graças a Deus, nesse dia, não terás mais pele.

Whatever skin

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Chato não dá!

Além de oito, dez ou doze horas de trabalhos diários, você ainda tem que se preocupar com todas as possibilidades do seu futuro. Se é extremamente jovem, encara, com um certo otimismo, o seu cotidiano farto e cheio de angústias. Se é velho, caquético e senil, pensa no dia imediato e, a cada nova fila de banco, fica pensando no dia em que a dona Morte irá aparecer e lhe dar a existência eterna. Ou te enviar pro buraco, que, absolutamente, não é meu caso. O dinheiro falta, ou se não falta, pode vir a faltar. Sua mulher (ou homem) pode desaparecer a qualquer hora, movida por uma grande paixão e lhe deixar miseravelmente amargurado pro que resta de sua vida podre, seja ela longa ou não. Talvez um anão apareça. Se não lhe aconteceu nenhum desastre físico, nenhuma mutilação importante, você, estatisticamente, está mais sujeito a ela a cada hora que passa. Todos os dias passam por você um sujeito feio, um gordo irremediável, um corno aborrecido, um puro e simples idiota, um chato monótono, alguém que perdeu os sentidos e uma pessoa extremamente cafona e brega. E se não passa, garanto, você é um deles, me incluindo – logicamente – nesse meio.

Confesso que não ando muito otimista, até porque estou no meu inferno astral. Já estou na idade, irremediável, em que as compensações devem ser aproveitadas, seja da forma que for, sendo mentira ou verdade. O passado a Deus pertence e quem quiser que acredite. Velho, burro, escroto, feio ou mentiroso, tanto faz. O chato é que ninguém agüenta.

Whatever boring

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