Arquivo da categoria: Licença poética

Dia Internacional das Mulheres!

Mulheres, vou lhes dizer quanto eu as amo, pois de uma eu vim e vivo voltando pra elas. Nesse tempo que carece dum carinho, duma prece num sorriso e dum encanto. Mulher, imagina o nosso espanto ao ver a importância central e poder que vocês têm sobre nós. O que cresce tanto – entre outras coisas – é o silêncio mentiroso tão zeloso dos enganos, pois há de ser puro como o ar mais profano, pois há de ser medroso como a ansiedade que permeia eternamente a relação homem e mulher. Com elas aprendi muita coisa e vivo aprendendo cada vez mais. Foi o primeiro lugar – literalmente – em que estive e que saí sem entrar. Aprendi que vocês são tão burras quanto nós, tão estúpidas quanto nós e tão machistas quanto nós. Com a única e tênue diferença que vocês são muito melhores em todos os aspectos, pelo menos do meu ponto de vista. Como a graça do perdão feminista, por natureza, nos faz surgir o dia, cotidianamente com mais alegria. Nós faz aprendiz de vossa companhia que eu sempre quis, e, até infeliz, sou bombardeado pela vontade mais doce que sai de vocês. Sou um felizardo, que abastado por meio de originais e extremas demonstrações de amor, me faço senhor e refém ao mesmo tempo. Sou apenas um momento, vezes fúnebre, de louvor e amor que têm na exatidão mais sincera, uma espera que faz sentir dor. Sou servo, servido e refeição. Vocês têm a benção enorme e desesperada da judiação. Benefício tal que vocês usam cada vez menos e com menos precisão. Por isso, ao pensar em lhes escrever, o que me passa nas cabeças é o sentimento puro, efêmero e inerte de que vocês apenas são o eterno motivo de acordarmos todo dia com disposição. E nessa relação tempestuosa entre pau e boceta, entre o peito e as tetas, entre o sexo frágil e o mais frágil ainda, me mantenho do vosso lado, para quem sabe, no final, entendê-las. E, caso isso não aconteça, por acaso ou indiferença, terei como minha maior crença a certeza imutável de que sou louco. Assim como vocês.

Whatever woman

* Entenda paráfrases de Chico e vírgulas ao léu.

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Fumeta e alcoolico quase anônimo

Hoje vi na CNN um discurso do famigerado e demoníaco presidente americano George W. Bush. Entre muita retórica de botequim e muito pouco conteúdo, ele falava sobre como o alcoolismo e o tabagismo afeta a economia dos Estados Unidos, apesar do país não sobreviver sem essas ditas – e sagradas – empresas e seus altos impostos.

Numa apologia – em certas horas com certa devoção cristã – desenfreada para frear o consumo dessas drogas abençoadas por Deus e dignas por natureza, o boçal, até com certa razão, se delimitou a controlar os jovens e suas atitudes após umas e outras tragadas. Bastante aplaudido, o débil mental, fingindo pensar e pesar pelo consumo abastado da sociedade americana, declarou guerra à parca e ínfima parcela de bêbados com rubor facial.

Concordo que é preciso uma certa fleuma na apreciação desses vícios, mas uma coisa é definitiva a favor dos bêbados: nunca ninguém viu cem mil bêbados de um país querendo invadir outro país para estraçalhar cem mil bêbados inimigos.

Isso é fato.

Whatever motherfucker

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Um amigo!

Em um quarto de roupas verdes claras repousou meu último contato físico. Não transpareceu a morte ou sequer se ouviu um lamento. Esperança o cercava de todos os lados e jamais nos abandonou. Desde a sua última fala, que sussurrou ao meu ouvido com a cabeça apoiada em meus ombros e me dando um abraço, o meu silêncio se tornou a minha maior fé. O ato demorado de cerrar os olhos e calar nossas almas já dura tempo demais, mas continua enchendo o coração de amor e saudade.

E, na verdade, por trás dos olhos tão verdes quanto a roupa do quarto, ainda continua, de alguma forma, vendo e sentindo o que se passa entre nós. O entendimento do que aconteceu não é claro pra ninguém e é demasiadamente doloroso não poder interagir com quem é um sábio nessa arte. Interação essa que ultrapassa os limites do meio físico e das inúmeras gargalhadas que ouvimos sempre de forma tão concreta. E o sentimento é uma coisa difícil de ser compreendida. Tão difícil que extrapola a linha tênue do que é a vida e a morte, mas nos garante contornos intermediários desse parodoxo e nos faz viver indiferentes a essa situação. Cada qual que fez parte dessa vida exprime essa força de uma forma única, mas acredito que todos se ligam a ele em circunstâncias absolutamente singulares para remediar uma nostalgia tão latente.

Não são festas, encontros e muitos menos textos como esse que irão ajudar patologicamente ninguém, mas sempre tentamos, desesperadamente e de uma forma até egoísta, satisfazer esse nosso sincero ímpeto de ajuda. Guardamos na memória as melhores lembranças e lhe damos o reconhecimento tão merecido.

E se não pude fazer nada melhor para ajudar um amigo do que escrever essas linhas, peço perdão, mas dentro do mesmo coração que sente essa saudade imensa, também repousa o sentimento efêmero de que a vida continua. Sempre e pra todos nós.

Wherever you are

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