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Corruptela

Dizem por aí que todo homem tem seu preço. Há quem vá ainda mais longe afirmando que alguns homens são vendidos a preço de banana. Sempre esperei, na vida, o dia da grande corrupção e, confesso, decepcionado, que ele nunca veio. A mim só aparecem causas meritórias, oportunidades de sacrifício, salvações da pátria ou pura e frontalmente a hedionda tarefa de lutar contra a dita corrupção. Enquanto eu procuro desesperadamente uma oportunidade, as pessoas e entidades agem comigo de tal forma que, às vezes, chego a duvidar de que tal mazela exista. Nunca tentaram me subornar com uma maleta cheia de dinheiro, nunca censuraram meu blog, nunca usufrui do nepotismo e nenhum guarda até hoje me pediu dinheiro pra nada. O mais próximo que cheguei da corrupção foi levar um processo ao cartório com dinheiro dentro, para que as coisas andassem mais rápido. E eu era estagiário e o dinheiro não era meu, portanto, tenho licença poética para tal.

O problema desse país é que todo mundo quer levar vantagem em tudo e ninguém tem culpa de nada. Afinal, uma característica curiosa dos corruptos se verifica em restaurantes e bares. O corrupto sempre está na outra mesa.

Pataca levanta as mãos.

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R.I.P.

Hoje eu ganhei um tamagotchi. Isso, vocês não leram errado não. Eu ganhei um bichinho virtual. Coisinha horrorosa. Mas foi divertido deixá-lo aqui ao lado do meu computador. Vi-o sofrer até morrer. Como diriam os americanos, funny!

Pataca fúnebre

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Alguém aí?

Instauram-se diversas maneiras de fazer uma coisa. São coisas certas, erradas e algumas duvidosas. Não importa. Instalam-se na cabeça e você não sente, não compreende e sequer duvida do poder de sua capacidade de fazer. E então chega a hora e a sua fala treme, o seu pensamento o faz suar, a sua mão chacoalha de nervoso até aonde é possível Parkinson não se impregnar. Mas não adianta quando a testa brilha e o dedo mexe no bolso procurando o cigarro que precisa ser aceso, mesmo que não haja isqueiro. Já tomei muitas decisões na minha cabeça que nunca consegui resolver. E talvez nem resolva por pura incapacidade de conciliar a razão com a emoção. E o engraçado – ou trágico! – é que tenho os dois lados muito apurados, aonde a briga é intensa e o knock-down não existe. Na minha cabeça não tem meio-termo. Aliás, até há, mas o meio é uma ilha cercada de indecisões por todos os lados, definida por estados etílicos e coordenadas por nuances de carência. Por isso digo e me declaro num dilema esquisito.

O que fazer quando não se tem covardia o bastante pra correr e nem coragem o bastante pra enfrentar?

Pataca “bora nóis!”.

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Escuro

E então, com os olhos fechados e a cabeça em outro quarto, mil pensamentos ecoavam entre o travesseiro e a orelha esquerda. De modo delicado, as pernas roçavam o lençol à procura de alguém que me esquentasse a memória e pudesse me fazer lembrar que algum dia aquelas mesmas pernas dormiram entrelaçadas em algum lugar entre o amor e a paixão.

Não durmo porque não quero, pois o pensamento me é mais forte que o sono e o cansaço, e sei que muitas vezes a letargia é cruel permeando os sonhos que não querem ser sonhados. Também não há esperanças naquele exato momento, me bastando a imaginação ao ponto de atrair nervosismo e ansiedade e fazendo o coração bater mais forte e rápido. Imagino histórias e visualizo cenas e rumos que a vida irá tomar com impressionante número de detalhes. Construo a vida futura na mesma posição de feto que um dia estive, com a singela diferença óbvia que agora penso e sinto este pensamento.

Ironicamente, no infinito escuro do meu quarto só as sombras me fazem companhia. Sombras que não foram, ainda, iluminadas, vistas ou decifradas. As sombras me mostram a verdade das pessoas. Por isso tenho a certeza de que a noite é mais do que o dia. É no escuro que as pessoas são realmente o que são, sem subterfúgio, sem vaidade, sem vergonha. Acredito que o sono e o dormir tenham sido inventados justamente para mascarar essas fraquezas tão bem-vindas nos dias de hoje.

Quase aniquilado pelas pálpebras, já pesadas e ansiosas por fechar, o corpo já sente a saudade desse estado emocional e repele as atitudes não tão românticas que irá perceber com o raiar do sol. Meus olhos, no escuro, descansam melhor abertos do que fechados. E a infinidade de coisas pensadas, imaginadas no escuro, refletem a iniquidade de tudo que penso.

E todo dia eu acordo com a claridade que as coisas não têm, com a necessidade que as coisas não precisam e com falta de amor que a memória lhe subtraiu. Até o próximo poente, onde a escuridão tomará conta do meu corpo e revitalizará, de modo a relaxar de novo e voltar a pensar e a ser exatamente como é.

Whatever darkness

 

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Dislexia

Realmente, após uma breve lida nesse bloguinho, acredito que tenha muita coisa que seja ininteligível e incompreensível por aqui. Vez em quando alguém a minha mão surta e escreve mais rápido do que eu penso. Talvez aconteça com vocês. Ou não.

Fui até acusado de ser um erudito, mas esclareço que o meu tipo de erudição é um pouco diferente: Eu sou aquele que sabe explicar tudo que todo mundo já sabe – embora não o faça -, mas quando alguém pede a explicação, fico bem quietinho pedindo perdão à minha ignorância, que é o que todo mundo tem na mesma proporção, só que em outra coisa.

Pataca (se) confunde.

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Rage Against the Machine

A massa disposta nos causa estranheza, pois é vazia de argumentos e viva de rumores. Calejam a garganta berrando o berro dos outros e não param segundos pra pensar no que falam. O discurso feito é o mal desse povo que, unicamente, apóia quem espera o ditado pronto para escrever em linhas tortas a idéia ultrapassada e demagógica que um dia foi aplaudida, às vezes com razão.

Mas esquecem que os tempos e as pessoas mudaram, não cabendo aqui definir se pra melhor ou pra pior. Apenas mudaram e com eles deveriam mudar as atitudes que tantas vezes questionamos, mas deixamos pra lá por absoluta preguiça de questionar esses ditames. E pra poetizar essa fórmula, usarei o ditado ultrapassado de que somos apenas um grão de areia nessa infinita praia cheia de sujeira, e que os tais bichos escrotos já saíram dos esgotos faz um bocado de tempo e até agora ninguém os mandou se fuder. Não que mandá-los se fuder bastasse para proclamar pelo menos uma revolução cultural/social/econômica/ambiental/blábláblá nessa sociedade estagnada por liberalismos e pessoas maquiadas na TV, mas contribuiria significantemente para, pelo menos, deixarmos de ser hipócritas e assumirmos a nossa má-educação, tão enraizada nessa nossa cultura nada popular.

Concluindo essa baboseira toda, acredito piamente em pessoas que dizem coisas sem sentido e estúpidas, pois mostrar a própria ignorância é, bem lá no fundo, um ato de fé e esperança como nenhum outro. Fé para que aceitem a sua fala e a esperança de não ser taxado como deveria: Um absoluto acéfalo.

Pataca protesta.

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Não… de novo não!

Não me bastasse uma operação no joelho que me rendeu uma perna biônica com dois parafusos fincados e vários e vários meses de fisioterapia, que ainda hoje me aflige, uma operação na boca que me deixou quase um mês todo fudido sem conseguir comer nada que não tivesse uma consistência no mínimo esquisita, na última semana apareceu um quisto no meu pulso esquerdo. Hoje, enquanto fazia fisioterapia pra ver se vou conseguir correr nos próximos dez anos, resolvi, assim por acaso, perguntar pro médico que porra é essa que apareceu no meu corpinho. Ele, com muita calma, me contou que era uma “bolinha de pus” que a gente tinha que tirar daqui. Se em uma semana essa bolota não baixar, o Pataca aqui vai virar maneta. Não tomo anestesia de novo nem a pau. Seguirei o exemplo desse gênio aí…

Pataca nuts!

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