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O que é realmente onipresente?

O que são as mãos de Deus ou as mãos divinas? Quais são elas e quem elas suportam de maneira quase insuportável? Quais os caminhos que elas percorrem entre os céus e quais as andanças que permitimos que elas nos guiem?

A dependência do nosso arbítrio, religiosamente falando, compreende a aceitação destes termos divinos ou a simples existência nos dá a possibilidade deste bônus da vida?

Sinceramente não tenho resposta pra essas coisas, mas é engraçado como as coisas convergem de uma maneira que nos fazem questionar, sempre, os nossos próprios dogmas e entendimentos mais sólidos, por mais que eles pareçam cada vez mais concretos.

Tenho, de maneira bem simplista e solitária, questionado algumas coisas que o meu ceticismo nunca deixou. E, apesar de parecer, não acredito mais em Deus do que acreditava antes. Mas, indubitavelmente, algumas coisas me deixam mais perto disso.

E em mais um aspecto da minha vida esse sentimento vem não por causa de mim, mas por causa de pessoas próximas que precisam mais que eu, pelo menos no momento. Não quero parecer altruísta ou coisa parecida, mas a dor dos outros ainda traduz melhor a minha religiosidade do que os meus próprios problemas ou a minha necessidade de fervor.

O meu Deus não parece tão próximo quanto ao que eu desejo às outras pessoas. Me basta a proteção de quem eu quero bem ou a quem eu não suporto ver sofrer. Acho que por isso nunca fui religioso ou nunca tentei ser. Divino é uma palavra que talvez ninguém nunca consiga explicar, mas tenho certeza de que alguns sentimentos traduzem muito mais essa crença do que a própria devoção a algo que o homem criou.

So, whatever.

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Arquivado em Ceticismo, Paz

Minha massa cinzenta é concreto!

A armadilha implacável de uma lição infalível num ritmo alucinante deixou o meu destino, iminente, estagnado e ecoando na minha cachola. De todas as idéias infindáveis que me escorrem cérebro adentro, a mais importante é a última que fica. Toda noite adquiro para o patrimônio que mora dentro da minha cabeça algum princípio idiota que jogarei fora no dia seguinte. São as formas estranhas e um tanto singelas de formação de uma mente insana e humanamente incontornável. Não sou volúvel e nem mesmo mudo de idéia rapidamente. Muito pelo contrário.

Minha cabeça dura e cérebro mole formam um par perfeito para mandar nesse corpo descontrolado que possuo e pretendo manter, mesmo que seja à força e regado à cerveja e loucura. Meu corpo é um lacaio do meu cérebro hiperativo. Eu penso, penso, penso e chego a alguma conclusão que, poucos minutos depois, já não lembro mais. Isso, entre outras coisas, significa que perco mais de dois terços da vida pensando em coisas que jamais sairão debaixo dos meus cabelos. Portanto, ou eu sou um desperdício para mim mesmo ou a punheta mental é essencial à manutenção da minha (in) sanidade, mesmo que não me leve a lugar nenhum. Todas as idéias perdidas – boas ou não – são apenas um reflexo da minha enorme capacidade de fazer as coisas não acontecerem. Sou um empreendedor às avessas e, por incrível que pareça, me absolvo disso plenamente. Sempre consigo achar um jeito mais difícil de fazer coisas que são fáceis. E em hipótese nenhuma admito que isso é culpa minha.

Quando nasci, mamãe, ainda de pernas pra cima e num ato instintivo, disse ao médico que me surrava a bunda com fervor:

– Doutor, eu que já carreguei o menino por 9 meses posso dizer com toda propriedade: não se preocupa em bater nele não que o menino já vai chorar.

Naquele exato momento, ainda lambuzado de sangue e com cheiro de vísceras, eu aprendi – para sempre – que as coisas não precisam sempre acontecer do modo mais difícil, mas há convenções nessa puta dessa vida que dificilmente deixarão de existir.

Whatever brain

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