Meu chão

Aqui o chão que piso cessa. Cassa a pegada frágil no caminho torto e apertado por onde piso. Meus pés descobrem a linha tênue e simples de coisas que havia esquecido. Param as pernas de andar por onde caminho. Aqui o piso cessa. Me cede o chão e me mede o princípio. Seca o tempo da couraça e poupa o nervo que dissolve quando encontra a minha casca. Abraça o chão. Voa cego na escuridão e orbita de peito aberto na mais vaga ilusão. Aqui nessa sombra que me engole, nessa massa que me mancha, nessa mesa que me mata.

Aqui o piso cessa.

Nessa mesma brasa que ilumina esse breu. Nesse mesmo contorno por onde pesam o resto de mim acima do chão. Atravessa até onde não exista mais teto no andar de baixo. Aqui o piso insiste em permanecer sobre o pé. Não há acesso à falta de gravidade. É treva a terra que não cede. Aqui o piso cessa. Aqui o piso não tem paz.

Whatever floor

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1 comentário

Arquivado em Introspecção, Paz

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