Every Breath you take

Esfalfei. Inspirei fundo naquela tarde já tarde da tarde. Respirei de novo ainda no meio da primeira expirada e caí de novo na rotina de cada momento da vida. Respiração. O ar suprimido no peito sai quente e viciado de mim. Sai expelido forte num bufo raivoso que não mais permite a volta ao meu corpo. Sou assim. Mando embora o ar sem raiva nem culpa e nem dou muito valor a cada crescer e descer do meu peito já cansado dessa maré que vive em meu corpo.

Ar. Ergo a cabeça para que o ar chegue mais fácil dentro de mim. Não chega. O coração palpita, os olhos cerram e a boca seca. Nada mais me importa. O último suspiro, demasiadamente longo, é também a hora que penso naquilo que deixei de respirar. Bloqueio, por convenção, a entrada de um novo ar, mais limpo, mais puro ou simplesmente diferente. Essa tentativa de crime contra meu corpo não exprime uma sensação ou uma vontade consentida. Exprime tão somente a verdade contida nesse corpo e mente devoluta.

Outros ares. Estão lá meus outros ares, ali, um pouco mais além. Estão lá esperando para serem respirados e encherem de novo meus pulmões com esperança. A esperança precisa ter a audácia do desespero para valer como o ar que se respira.

Esse ar que me consome. Essa audácia que muito me falta.

Whatever fellings

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5 Comentários

Arquivado em Autobiografia, Citações, Millôr

5 Respostas para “Every Breath you take

  1. Anonymous

    Ah, perdoe, pensei que aquele era o ultimo post, mas é que entrei por aquela página, por uma pesquisa do google…
    Mas se ainda assim puder me dizer qd 2+2 são 5 eu agradeço…

    Alice Lima

  2. Anana

    Pataca precisa de respiração boca a boca….

  3. Ariett

    O ruim é que a gente nunca usa toda a possibilidade dos nossos pulmões…

  4. Pimenta

    Pataca me faz googlar!
    E fiquei na duvida.
    Pataca tá disponível, precisa anger management,ou gelou feito esquimó??
    E eu que já encaixotei meu dicionário…
    fiquei sem saber!

  5. Cãmi

    Hummm… esse seu texto me lembrou um parágrafo que gosto muito: “Quanto à moça, ela vive num limbo impessoal, sem alcançar o pior nem o melhor. Ela somente vive, inspirando e expirando, inspirando e expirando. Na verdade – para que mais que isso? O seu viver é ralo.” graaaande Clarice.

    bjones!

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