Shakespeare, a novela das 8 e uma porção de barbaridades!

Alguém pode me dizer uma coisa mais chata que os dilemas presentes na dramaturgia? Odeio dilemas. Eu sei que uma boa peça de teatro, novela (eca!), livros e outras formas de manifestação artística devem suscitar grandes problemas, até para que possamos nos identificar com a história, visto que eu não sou o Antônio Fagundes e nem me pareço com o Brad Pitt e sei que você aí também não é parecida com Jennifer Aniston ou com a Angelina Jolie. Mas não façamos disso um problema. Eu sou eu e você é você, pobre leitor que insiste em ler esse monte de porcaria que escrevo.

Voltemos aos dilemas.

O mais antigo deles – pelo menos que lembro agora – é o do Hamlet (Shakespeare): “ser ou ser, eis a questão!”.  Que caralha isso quer dizer?

Tornou-se uma das frases mais famosas da literatura mundial e é absolutamente um dizer precário, indeciso, livre de argumentações e que exprime de forma difícil a frase que eu vivo dizendo quando acabei de encher a cara: “Fudeu! E agora?”.

E não venham os letrados me dizer que a duvida de Hamlet era matar ou não o seu tio que havia assassinado seu pai, o rei, porque estava louco para comer sua mãe, a porra da rainha da Dinamarca. Quem em sã consciência teria essa dúvida descabida? Me diga aí: O cara mata seu pai e quer fuder sua mãe e você faz o quê? Um bolo de fubá?

Ok, os tempos eram outros e talvez a literatura cotidiana e o romantismo tivessem licenças poéticas.

E os filósofos também se mandem daqui rápido antes de surgir algum outro significado esdrúxulo que tente explicar que o tal do “ser ou não ser” é mais do que apenas uma frase que Shakespeare (genial, que fique claro!) escreveu quando estava bêbado no canto do seu quarto iluminado apenas por luz de velas.

Mas o pior mesmo são os dilemas das novelas, obviamente sem comparar Shakespeare com o Miguel Falabella, que até hoje faz a mesma pergunta que Hamlet fez apenas uma vez, mesmo que descabida.

Não sei como as pessoas se identificam com as novelas, cada vez mais mal escritas e pobres de espírito e coerência. Eu concordo que, se você está pensando em matar alguém para poder ficar com a grana dessa pessoa ou simplesmente por amor, você tem um dilema e tanto, apesar disso não ser, claramente, uma solução plausível. Mas eu consigo entender que a natureza humana é capaz de tudo, mesmo achando absurda a freqüência que isso acontece entre os atores da Globo, por exemplo.

O que eu não entendo é o motivo pelo qual ninguém procura solução pra nada. Acho isso uma afronta à inteligência das pessoas. É como se toda sua família e amigos só lhe respondessem com outras perguntas e, num belo e ensolarado dia, todos eles resolvessem, ao mesmo tempo, lhe dar todas as respostas de uma vida inteira. Quem agüentaria tanta verdade assim de uma vez só?

E a falta de humor nos dilemas? Por que tudo tem que ser tão cinza e com cara de choro? Não vejo a Cláudia Raia rir numa novela desde que eu tinha 10 anos de idade. Toda vez que, de relance, eu a vejo na tela, ela está mais triste e preocupada. Nunca a vi contar uma piada, discutir com o guardador de carros ou tropeçar nas próprias pernas desproporcionais ao seu corpo de bailarina (sic). Puta mulher chata do cacete. Se eu escrevesse novelas, mataria ela sempre no primeiro capítulo, e sempre de varizes.

Você aí que gosta de novelas não se sinta ofendido, por favor. Ou fique e comece a ter crises existenciais que o levarão a um único e definitivo dilema: desligar ou não, eis a questão!

To be or not to be? Ah, whatever!

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9 Comentários

Arquivado em Citações, impressões, Infamidades, Ofensas

9 Respostas para “Shakespeare, a novela das 8 e uma porção de barbaridades!

  1. Myrion

    Eu odeio novela e trabalho numa sala com 7 mulheres. Ou seja, sempre tem esse assunto, e eu não faço idéia do q elas estão falando. Fico com cara de paisagem, com fone fingindo q não to ouvindo e pensando “q diabos é Halley? será a Davidson?”genial, bjs

  2. Fernanda

    Claudia Raia ser ou não ser traveco? E o Edsão Celulari, o que é? Biiiiiichaaaaaaaaaaaa………Viu? É pra isso que serve novela… super fundamental….. 🙂

  3. Anana

    novela é um pé no saco, sempre os MESMOS dilemas imbecis, e o que impera é a falta de criatividade e a falta de qualidade.humor é uma palavra que não existe no vocabulário dos que as escrevem (ou, ao menos, humor inteligente!), mas eu entendo porque elas exercem tamanho fascínio sobre as pessoas. é o sonho, a fantasia, qualquer que esta seja…já Shakespeare – bem, este é um caso à parte, e eu sou muito suspeita para discorrer sobre o mesmo, já que sou fã de carteirinha e adoro os dilemas que ele apresenta – especialmente porque seus desfechos são absurdamente bizarros!acho que seria válido os novelistas da Globo recorrerem aos clássicos para um pouquinho de inspiração…

  4. raposices

    Adorei o “O cara mata seu pai e quer fuder sua mãe e você faz o quê? Um bolo de fubá?”hahahahaEu me divirto com a falas do Vale a pena ver de novo:– Vilma, sirva um café para nós na sala de estar. – aceita mais um chazinho, Regina? Isso vai te acalmar amiga!– Ai estava um tempo ótimo em Angra! (ou Búzios ou Petrópolis ou sei lá!)– Ahhh essas crianças! hahahaha mais chá?Eu “se” divirto no meu horário de almoço!hahaha

  5. Lunna.

    Primeiramente, o bolo de fubá poderia ser uma boa saída para Hamlet manter a política da boa vizinhança, porém, onde estaria a dita honra existente na era elizabetana? Pois é.Segundo, apesar do gosto duvidoso das novelas de hoje, há algumas que tentam, de alguma maneira, tratar de assuntos que (dizem) é de importância nacional. Gravidez na adolescência pode não ser novidade para mim, mas (óh, que choque) o é para muita gente. Acredito que pelo menos nesse sentido as novelas trouxeram uma discussão boa para o povão desse Brasil baronil. Já que essa galera não “pode” assistir as obras de autores bem melhores, vale o que tiver a mão.Terceiro, Claudia Raia não estava preocupada em “Belíssima” – sua única preocupação era comer o Giannechini -, tampouco em “Sete Pecados”.

  6. bjomeliga

    Tá certo, a Cláudia Raia é chata, a Ximenes é sonsa, o Murilo Benício é… O Murilo Benício. Bocejo pra todos eles. Mas, e o Silveirinha? Pô, o cara é Genial!E sem comentários sobre Hamlet ou Shakespeare, por que oi, eu não entendo nada dessasporra.Beijos!

  7. Moça oCulta

    Já faz muito tempo que troquei os globais pelos agentes do FBI dos seriados. Tá certo, é tudo a mesma merda. Mas pelo menos acaba rápido… em relação à matéria do R.E.M, saiu no dia seguinte, no jornal da nossa cidade (tu mora por aqui, é?). E Pataca, pelas pessoas que vc conhece, eu tenho quase absoluta certeza de que vc conhece o exu do meu ex-marido. Inclusive, aquela foto cabeluda te denuncia horrores. Medo. Risos.

  8. Cãmi

    Rancorizou, adorei!Daqui um abraço _o_Faz bem uns 5 anos que não assisto novelas, mas assisto mtas séries o que pra mim dá quase na mesma. Com um pouco mais de glamour e inteligência talvez. Só talvez.Pra mim vc matou todas as perguntas qdo diz q as pessoas buscam identificação. É isso o tempo todo com tudo. Ou não.Vou ali perguntar pro Shakespeare, peraí.bjones

  9. Ariett

    Dilemas existem na vida de todo mundo, não é? Tem nas novelas porque é uma tentativa de copiar “a vida como ela é”.O problema é que a vida de verdade é beeeem mais difícil que nas novelas.

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