Like a child!


É, eu também tenho medo. Eu também me escondo atrás das mãos, como se isso me desse alguma proteção. Eu também olho assim, entre os dedos, procurando uma saída para o medo ou alguém pra compartilhar o meu segredo. Meus olhos tremem, semicerram-se e meu coração parece bater nos lábios. Meu corpo esfria, sua e aquece a palma da minha mão. Minha decência se esvai, minha sinceridade se aproxima, meu ego some. Minha alma já não é mais minha, assim como o meu “eu” já não é mais de ninguém. Eu continuo precisando crer naquilo que se cria. Preciso controlar minha inimaginável covardia. Nesse entrelaçar de dedos perante meu rosto que garante meu salva-guarda de maturidade, minha testa franze, meu cabelo molha e meus olhos olham pra dentro de mim. E tenho medo do irrefreável e do desconhecido e também daquilo que freia e de quem eu conheço. Não sou mais criança e meus medos também cresceram e ficaram mais onipotentes perante meu modo de pensar. Não sou mais tão frágil e nem tão digno de pena, mas evidencio em cada cena aquilo que me faz mal. Não saio mais correndo e nem faço barulho pra pedir ajuda. E não o faço por puro orgulho. Tenho ânsia de resolvê-los, revolvê-los e revivê-los cada vez mais naturalmente.
Por isso – vez em quando -, tiro as mãos da frente da cara, as ponho no bolso e dou um passo atrás do outro em direção daquilo que mais temo. É burrice, eu sei, mas é burrice ter medo?

Whatever hidden

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3 Comentários

Arquivado em Citações, Introspecção

3 Respostas para “Like a child!

  1. youknowwho

    Medo de avião, medo de não ter dinheiro pra sobreviver dignamente, medo de fraturar a coluna e ficar paralítica, medo de violência, medo da bomba atômica, medo de não ser amada, medo de altura, medo de cobra e de tubarão, medo da loucura alheia e da minha própria… Medo de envelhecer, medo de adoecer, medo de ser mal compreendida, mal traduzida… Medo de achar carocinho no peito, de ter coágulo no cérebro… Medo de ter filho, medo de passar pela vida sem viver um amor daqueles JorgeZélia… Medo de que morra quem eu amo – esse é o maior de todos!Sempre se pode não voar e manter os pés bem fincados num único continente. Só andar a pé e com muita cautela… E submeter-se a uma vida estressante e infeliz pra garantir um gordo pé-de-meia na velhice. E não saltar de trampolim, de pára-quedas, sequer andar de roda-gigante…. Não caminhar pelo mato, não entrar no mar, não tomar chuva, não conversar com estranhos… Não tomar café, não beber, não fumar, não comer doce, não comer carne, não comer fritura… cuidado com a gordura trans!! Não amar pra não correr o risco de sofrer a perda… E se calar, não cantar, não pensar, não desejar, não sonhar…Então que graça teria viver?Pataca tá no caminho certo quando caminha em direção ao medo. Não é burrice! É exatamente lá que está o pote de ouro….. (dizem)…… Medo é normal e muitas vezes saudável… burrice é passar uma existência inteira assombrado por ele!

  2. beijomeliga

    Concordo com o comentário de cima. Encaremos, pois, nossos medos (que no final, são todos iguais) de frente.

  3. Diz ela

    Muito bom este seu texto!Muitas vezes também me sinto assim como descreveste!abraço!

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