Nos nossos devidos lugares

Na ordem dos lugares santos, imprevisíveis, inconfundíveis está o nosso lugar acima de tudo. Ninguém sabe onde fica, mas nós sabemos, cultuamos e desejamos, a cada fracasso ou insucesso, voltar pra lá correndo. Queremos ir pra lá também quando está tudo bem, mas sabemos que não podemos viver esse mundo de sonhos pra sempre. É o lugar extremo, onde vivemos o que não pode ser vivido em outros lugares. É o fabuloso mundo paralelo. É um planeta imaginário, ilusório, onde só nós sabemos onde fica e preservamos severamente esta apoteose. E, por mais que saibamos que todos nós temos esse lugar pra recarregar, o nosso lugar sempre parece melhor.

O meu lugar nunca foi apenas um espaço físico. Sempre aparentou, nas poucas vezes em que estive lá, um estado de espírito completamente único. Pareceu-me uma sensação, um contágio de felicidade, uma mistura de fatores difícil de acontecer e que não há receita, infelizmente. Essa combinação de sentimentos e paisagens ora me conforta, ora me entristece, pois a freqüência desse dínamo de prazer diminui em algumas épocas da vida. Esse sentimento confuso e amador aparece em diversas ocasiões. Seja presenciar o nascimento de uma vida, assistir alguém que precise ou estar postumamente presente na conclusão dessa jornada. Não importa.

O que realmente importa é saber o caminho para voltar pra lá, ou pelo menos morrer tentando. Porque sempre me pareceu que essa alegria tão contagiante vem embrulhada numa tristezinha de papel muito fino. E quando o dia raiar, o sol aparecer e começar a nos queimar a pele seremos apenas nós de novo, de volta a essa realidade imprevisível. Seremos nós aqui, e não lá. Lá aonde o nosso mundo não é tão feliz quanto parece.

Whatever place

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4 Comentários

Arquivado em Autobiografia, impressões, Introspecção

4 Respostas para “Nos nossos devidos lugares

  1. Anonymous

    Nossa, que coisa bonita… que coisa pisciana…risos.bjsMoça

  2. the

    Sempre soube………. 😛

  3. Pataca.

    Porra, e tu só descobriu agora???

  4. Fernanda

    Tire o papel fino, amasse, jogue no lixo e deleite-se com o doce enquanto durar…… o presente é o que importa!Pataca pensa demais……..

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