Qual o tom?

Sob o som original de coisas que me emocionam eu escrevo essas palavras. Um Sol, um Si bemol esquisito, um aqui e muitas sétimas acolá eu deslizo meus dedos sobre o que me complementa. As variações impressionam, salientam e inspiram o talento e a pouca musicalidade que insiste em existir dentro do meu cérebro diapasão. O batuque é intermitente, a melodia é pegajosa e as muitas freqüências transitam no mesmo indiscutível quatro por quatro de minha existência. Sob nonas, quintas, terças e muitas feiras, os dias passam com a clave de um sol extremamente límpido e substancial. Em singelas seis cordas de aço ou nylon a arte influi na vida, nos gestos e atitudes que declaram a música como forma de expressão. Não toco, não canto, não me dignifico entre essa arte, mas compactuo em cada slide entre cada traste, meio tom sobre meio tom. Os dedos se colocam em maiores e menores, sustenidos transeuntes de um braço bêbado, dedilhando a ínfima teoria que pouco vale entre quem consegue fazer a diferença. Somos todos maiores, oitavos inspirados sobre uma das sete artes. Música não é e nunca foi poesia, pois é a mesma coisa. Nunca teve fórmula e, no entanto, é a maior fonte de expressão de qualquer idiota sem cérebro que continua freqüentando a segunda série após decorar a oitava, a sexta, ou a quarta sinfonia de um cidadão sem orelha. Música é alma e estado de graça, onde o desafino é erro cometido no cotidiano de quem mais importa na vida. Amor, ternura e sensibilidade que faz chorar quem prega e finge a dureza harmônica e cristalina sob qualquer outro aspecto da vida, onde o coração forja um paradido fajuto de baquetadas sem pegada alguma. É um mundo onde cifras, tablaturas e audições mais atentas desmistificam ídolos e apagam a admiração contumaz e desenfreada sobre qualquer ser humano. Há extraterrestres, sem dúvida. Há também pessoas frustradas, como quem vos escreve, que sempre sonhou em ser lírico, poético e numa simples tríade de palavras conseguir expressar um monte – ou poucas e singelas – notas que delimitassem a sutil diferença entre a emoção e a euforia.

Whatever tone

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6 Comentários

Arquivado em Autobiografia

6 Respostas para “Qual o tom?

  1. Anonymous

    Pataca… vc se supera a cada post…bjsMo�a

  2. nando

    éhhh…eu decorei um trecho ínfimo de uma quinta sinfonia de um cara q era surdo…é o mesmo?hehee conheço um cara q não tinha orelha…mas esse pintava quadros.huhupataca as vezes se confunde, ou não, mas continua muito humirde pro tamanho de seus talentos…

  3. A. F.

    Quer montar uma banda comigo? Amber and The Dumbers, pô!! Vamos ficar ricos.

  4. Mr. J. / Mr. D.

    Se tem uma coisa que eu aprendi é que é sempre hora de uma nota perdida em consideração a alguma coisa importante.Abraço!

  5. Buenas

    SIMPLESMENTE SENSACIONAL !!!A sua falta de coordenação para tocar acabou se transportando para o seu texto e acabou como sempre: uma melodia espetacular ! big … big…big…

  6. Cãmi

    O importante é dançar conforme a música. beijo Pataquitas

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